O desejo de ser profissional faz com que as pessoas estudem e se habilitem para viver tendo prazer de trabalhar naquilo que escolheram. Há opções de atividades que, historicamente, são reconhecidas como fornecedoras de status e boas remunerações. Nos tempos coloniais, aqui no Brasil, as famílias queriam ter entre os seus, um médico, um advogado e um padre. Hoje já não é mais assim com o padre, mas os médicos e advogados continuam povoando o ideário de nosso povo.

Mas o que era envolto em atmosfera de dedicação, responsabilidade e comprometimento com o saber e o atender à população, começou a ser maculado com um ensimesmamento, onde o profissional visa primeiramente o seu bem-estar, depois, solucionar o problema do outro, seu cliente.

A mais recente denúncia sobre a má conduta de profissionais vem caindo sobre uma categoria médica que, mancomunada com empresários, age no sentido de indicar procedimentos cirúrgicos e materiais a serem usados nesses atos.

O que à primeira vista é só caso de falta de ética e de vergonha na cara, torna-se um caso de polícia, e não necessariamente por causa dos ilícitos em relação à sonegação de impostos e fraudes das mais diversas ordens. Trata-se de colocar em risco a vida das pessoas. Pacientes ou não. O paciente é a parte mais fraca do elo dessa corrente. Ele está ali, carente de cuidados, doente e, nas mãos do médico, não tem muita margem de negociação.

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Opinião

Ser submetido a uma cirurgia desnecessária; pagar por um procedimento que não precisa ser realizado; comprar um material caro e outras imposições vindas do médico é um abuso. Não é só no nosso bolso que estão mexendo. É com nossa vida.

Mas há também riscos inerentes ao outro lado, o do profissional que diante de irregularidades percebidas, não se deixa levar pelas facilidades do ilícito. Foi o que aconteceu, meses atrás, com o jovem médico, o cirurgião Artur Eugênio Azevedo, em Recife, Pernambuco.

Após problemas vivenciados com o outro cirurgião, o já experiente Cláudio Amaro, por causa de supostas contas superfaturadas nas cirurgias praticadas, o recém-entrado na Medicina acabou sendo alvo de uma emboscada e foi assassinado para não se meter mais nos negócios do seu chefe.

A polícia prendeu os acusados do crime após iniciadas as investigações. Os réus são o médico Cláudio Amaro e seu filho, um advogado.

Foram acusados de tramar e contratar pistoleiros para dar cabo à vida de Artur Eugênio. Ambos acusados se encontram presos, esperando o julgamento do caso. Era uma bem realizada família brasileira, com um pai médico e um filho advogado. Precisam agora de um religioso que ore por eles. E por suas vítimas.

Infelizmente esse não é o primeiro, o único, nem o será o último caso onde a medicina vê seu nome ultrajado e manchado de sangue de forma torpe e vil em nome do dinheiro.

Um dinheiro que, na fantasia arquetípica da população, vem facilmente quando se exerce uma profissão como é a Medicina. Fantasia essa que traz também a ideia que todos os médicos deveriam ser humanos e dedicados à causa maior, que é diminuir o sofrimento do outro.

Mal vê a população que antes de serem médicos, eles são gente. Como a gente. Cheios de defeitos e desejos, e que, às vezes, não conseguem deixar de olhar para seus próprios umbigos antes de verem o do seu paciente. Ainda bem que não são todos assim.

Um problema a mais para o povo tentar resolver: como encontrar um médico que seja saudável para cuidar de sua saúde que anda precisando de cuidados?

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