Quando criança, eu lia muito, na revista Seleções, histórias sobre desastres naturais, nos Estados Unidos. Praticamente, todo mês, a revista trazia relatos sobre tufões, ciclones, furacões, terremotos e nevascas que atormentavam populações por onde passavam.

Os estragos causados pelos fortes ventos eram frequentes, e os artigos me fizeram ficar familiarizado com a geografia daquele país, através de desastres em Iowa, Oklahoma, Ohio, Dakota, Texas, e outros estados sempre visitados por essas manifestações naturais.

Anos depois, estudei que os ventos são classificados de acordo com sua velocidade, sendo os mais fracos, chamados de brisa, e os mais intensos e velozes, com o título de furacão.

Na minha inocência de criança, essas violentas manifestações da Natureza não aconteciam aqui no Brasil. Fantasia reforçada pela fala constante do povo, de que nosso país é um paraíso na terra, sem desastres, sem terremotos e sem vulcões.

Por piada, dizem que, ao ser questionado por que havia criado lugar tão tranquilo, Deus respondeu com ironia: "deixe para ver o povo que eu vou botar lá..."

Hoje eu vejo que os ciclones, tufões e furacões do meu passado continuam assolando o território norte-americano, e que o Brasil 'importou' alguns desses fenômenos.

A nomenclatura científica indica aragem; brisas leve, fraca, moderada e forte; ventos fresco e forte; ventania e ventania forte; tempestade e tempestade violenta, e furacão ou tornado.

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Natureza Opinião

O que faz a mudança de classificação é a velocidade, de até 5 km/h na aragem, a mais de 118 km/h no furacão. Há classificações mais 'pesadas' para os tornados que começam no índice apontado, como F0, e vão até o F6 com ventos de velocidade superior a 510 km/h. Destroem tudo.

Aqui, os ventos são fortes e velozes o suficiente para causarem grandes estragos e prejuízos. Destroem casas, derrubam árvores, causam ondas violentas à beira-mar e trazem fortes chuvas, inclusive com granizo, que destroem lavouras e equipamentos.

Às vezes chegam ao nível de furacão. Tal qual as histórias que eu lia.

Na tentativa de explicar o que acontece, fala-se em efeito estufa, aquecimento global, derretimento das calotas polares, aumento do nível do mar e coisas assim, entretanto, não podemos deixar de vincular tantos estragos ao descuido que temos pelo lugar onde vivemos.

As cidades estão crescendo populacionalmente (crescei e multiplicai-vos, disse Deus...) e as pessoas precisam de espaço para morar, para transitar, para o lazer, enfim, para viver.

Nesse inchaço, as cidades tendem, matematicamente, a chegar ao ponto de esgotamento.

A partir do momento em que esse ponto é alcançado, tudo começa a desmoronar pela simples impossibilidade de manutenção da situação alcançada. Pior quadro se pinta quando queremos continuar crescendo. No dito popular: Tudo tem limite.

O lado ruim dos transtornos que vemos hoje, claro, é o prejuízo incalculável, inclusive com mortes.

Perdem as pessoas, as cidades, os estados e o país.

O lado bom é que o homem acaba aprendendo - na marra - que ele não pode fazer o que bem quer. Há que aprender a respeitar as fronteiras que a natureza impõe e não ultrapassá-las.

Não é ela que é feroz e violenta em suas manifestações. Nós que somos frágeis, burros, imprevidentes, petulantes e ousados ao querer ignorar a lei mais básica de todas: temos que usar o que a natureza nos oferece e não tomar dela o que achamos necessário.

Somos apenas animais. Precisamos saber conviver com outros e com nós mesmos.

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