Coisas que o mundo antigo não permitia, hoje são encontradas com certa frequência e outras não mudam jamais, infelizmente. Exemplos da primeira situação temos na homossexualidade e a transsexualidade ganhando espaço. Exemplo da segunda temos no preconceito contra os exemplos anteriores.

Historicamente forçados a se esconderem, às vezes até de si mesmos, os homossexuais e transsexuais sempre foram vítimas do escárnio e do desprezo daqueles que se acham certos ou perfeitos.

Da doença à safadeza, todo tipo de classificação que denigra os que escolheram outra forma de lidar com o afeto e com o erotismo, ainda é usada para desmerecer essas pessoas.

Na contracorrente do preconceito, os movimentos sociais, baseados no direito humanos, buscam melhorar a qualidade de vida de quem vive sofrendo violências, ameaças e humilhações.

Como toda boa manifestação humana, há que erre na mão na hora do ataque, e também, da defesa.

Mas os excessos são necessários para que saibamos quais os limites justos.

Há algum tempo os bares e restaurantes começaram a vivenciar problemas com os seus banheiros, ou melhor dizendo, com o uso deles, pois os travestis e transsexuais exigem acesso àquele banheiro específico para o sexo escolhido por eles e não, digamos, pela natureza. Clientes reclamaram. O que fazer nesse caso: abrir um terceiro banheiro, ou transformar os existentes em unissex?

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Educação

Ou "multissex". Nada mal, não é?

Ajustes como esse são normais em uma sociedade que vai evoluindo e se transformando. Há não muito tempo negros norte-americanos não podiam viajar nos mesmos ônibus que os brancos, não podiam estudar em universidades e sofriam outros tipos de violências acobertadas pelas leis.

Somos civilizados?

Hoje, aqui no Brasil, que continua com seus preconceitos, apesar de ilegais, os negros continuam sendo vítimas e a eles juntaram-se outras categorias dessa vez, mas por suas opções sexuais.

O ensino formal é um desses campos sagrados aos quais os negros, travestis e transsexuais não tinham acesso. Hoje já é possível encontrar travestis e transsexuais em diversos cursos de mestrado e doutorado, e o que chama a atenção, agora, é a indicação por alunos, de uma doutora recém-formada, para assumir a Reitoria de uma Universidade.

Em um país onde os alunos não têm participação política nem dentro nem fora das Universidades, é estranha essa movimentação em torno de Luma Andrade.

Ela é travesti e professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

A indicação vira notícia, e isso é de certa forma, ruim pelo apelo sensacionalista que a mídia dá, mas, vendo o lado bom, é mais um assunto para ser debatido e discutido para que a sociedade progrida. Há os que já estão dizendo horrores, alertando que o fim do mundo está próximo, demonstrando o quão profundo é o preconceito instalado em seus corações e mentes.

Há aqueles que trabalharão em prol da professora, mas também por estarem revestidos de outro preconceito: o que diz que a eleita deve ser ela porque ela é travesti.

Ora, ser travesti não capacita ninguém a ser reitor. Nem impede.

Nasce aqui a questão: ela é "candidata" só porque é travesti?

A resposta a essa pergunta tem fundo político na sua mais ampla acepção. Não é uma questão pedagógica, de lobby de Departamento, de disputa partidária dentro da sociedade. É uma questão de gênero ou de direitos humanos.

Luma pode ser a reitora, mas isso é caso para se questionar suas opções sexuais?

Parabéns a ela pelo título de doutora.

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