Na madrugada desse domingo(29), quatro homens foram mortos durante uma operação de busca e apreensão no Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. Este é só mais um caso para explicar a habitual violência policial que há no Brasil.

Histórico

Não é a primeira vez, nem vai ser a última, que isso acontece na "cidade maravilhosa", desde que as Unidades de Policias Pacificadoras (UPP) foram implantadas, aumentou muito o número de mortes nas comunidades e sem contar os casos como o do pedreiro Amarildo, que desapareceu, mas não entra nas estatísticas.

É preciso urgentemente repensar essa cultura de polícia militar. É necessária uma transformação no modo como tratamos nossa segurança pública. É necessária uma maior cooperação entre a polícia civil e militar, com o uso da inteligência e não da força, como explica o diretor executivo da Anistia Internacional, Ítalo Roque.

"É preciso que enfrentemos o tema da reforma e reestruturação das polícias.

Temos de pensar a segurança pública como área de afirmação de direitos e não de violação de direitos. É preciso que pensemos a segurança como parte das políticas públicas e, portanto, como problema do Estado. Segurança pública não é uma questão apenas da polícia. Essa consciência precisa ser incorporada no Brasil de forma que possamos sair desse ciclo de horror", completa Roque.

Números 

Não estou querendo dizer que a polícia não é necessária e que precisa acabar, mas os números não mentem e a nossa polícia é altamente letal.

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Opinião

Só no Rio de Janeiro a polícia militar matou 582 pessoas no ano de 2014.

São casos como o de Haíssa Vargas Mota que foi registrado pela própria câmara policial. A estudante foi cruelmente assassinada com dez tiros de fuzil pelo soldado responsável por sua prisão, dessa vez houve registro e o soldado responde por homicídio qualificado.

Guerra 

Mas e quantos que não são registrados e acontecem diariamente nos morros cariocas ou nas favelas paulistas?

O clima de guerra entre a PM e a população nunca esteve tão latente e isso é ruim para a própria corporação.

Considerando as taxas de homicídio da população e de policiais, o risco de um agente morrer assassinado no Brasil é três vezes maior. É uma guerra, na qual, não há vencedor, como explica o sociólogo Renato Lima: "a verdade é que não estamos protegendo nem a população nem os policiais, estão morrendo dos dois lados há anos e nada ainda foi feito para amenizar esse problema".

A diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, pede medidas mais enérgicas das autoridades. "O aumento da letalidade das polícias cariocas e paulista é expressivo, é assustador. E demonstra como eles têm utilizado da força letal como instrumento do controle do crime. Então, isso é muito preocupante e exige um posicionamento das autoridades", conclui Samira.

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