Existem diferentes tipos de regimes de contratação de docentes nas universidades públicas do país. Geralmente, há uma distinção entre profissionais com dedicação exclusiva à universidade e professores com jornadas parciais. Na Universidade de São Paulo, as duas categorias são denominadas, respectivamente, Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP) e Regime de Turno Completo (RTP).

No primeiro, o docente assina um contrato de 40 horas semanais a serem dedicadas à universidade e ganha 37% a mais do que os professores do segundo grupo, que trabalham 24 horas semanais.

Acontece que, apesar de deverem dedicação exclusiva à USP, grande parte deles (40%) possui atividades fora da universidade. Eles são autorizados a manter atividades profissionais fora da universidade, como dar cursos pagos e realizar projetos em nome de empresas.

Além de quebrar a regra da dedicação integral, a prática também incorre em outra ilegalidade, pois, a contratação em RDIDP veta que os docentes recebam outros salários além dos ganhos como servidor público.

Outro problema é levantado por Ciro Correia, presidente da Associação de Docentes da USP (Adusp). De acordo com ele, não é possível que um servidor dedique-se durante 40 horas à universidade e ainda consiga manter outros trabalhos externos.

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Educação

No balanceamento, é natural que o docente acabe não cumprindo todas as horas exigidas pelo contrato de trabalho. No entanto, a fiscalização em relação a isso ainda é muito pequena.

Outro grande problema é o fato de que o RDIDP também é visto como uma forma de avaliar as universidades. O MEC, por exemplo, utiliza a quantidade de docentes que são contratos nesse tipo de regime para dar avaliações positivas ou negativas para determinados cursos.

Geralmente, quanto maior o número de docentes contratados em regime de dedicação integral, melhor as notas dos cursos. Quando, no entanto, estar contratado por esse regime não significa necessariamente dedicar-se realmente de maneira exclusiva à universidade, o modelo de avaliação é colocado em xeque.

A USP tem discutido novos regimes de contratação de servidores em reuniões do Conselho Universitário. Há uma discussão de que os novos docentes sejam contratados somente no regime RTP, mas a proposta tem encontrado bastante oposição de alguns professores.
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