No mercado editorial há um grande ponto de interrogação. Uma pergunta que não quer calar e para a qual, as editoras, ainda não encontraram uma resposta. Como fazer preço e vender versões digitais de produtos que estão disponíveis no mercado no formato de CDs, revistas, jornais e filmes?

A indústria da música não fechou, mas os ganhos, ou pelo menos a margem de lucro, foram reduzidos. A tecnologia de streaming modificou a forma de comercialização.

Os jornais tradicionais encontram dificuldades de manter gráficas em funcionamento. A dúvida é se terá continuidade a oferta de conteúdos suportados por anúncios gratuitos ou somente oferecer conteúdo para aqueles que assinam edições de jornais ou acesso ao conteúdo, onde o usuário pode enxergar o livro e efetuar sua leitura de forma on-line, padrão ao qual muitas editoras devem se render.

Se no mercado da música e dos jornais, a complexidade da negociação preocupa, no mercado livreiro, ainda vigora a filosofia "pagou - levou".

Mesmo que um livro tenha versões digitais e impressas concorrendo no mercado. O fato de, ao contrário do que acontece com músicas e jornais, o livro ser considerado como um item completo a ser lido do começo ao final, ajuda.

Alguns diretores de editoras consideram que há estabilidade nesta perspectiva de mercado. Mas é bom que eles fiquem alertas e conscientes. Esta perspectiva irá mudar. Ainda não se sabe quando.

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Mas certamente o fato irá acontecer. Outro problema que pode incomodar: a autopublicação. É uma modalidade que está em alta. Ela agrada aos autores, com a subida das vendas e uma distribuição mais justa dos percentuais.

Com a auto publicação os autores que sabem utilizar técnicas SEO - Search Engine Optimization, cujos segredos poucos revelam, estão conseguindo atingir um público diferenciado com os "pequenos e-books" que discutem um assunto e não são extensivos a ponto de se tornar uma leitura cansativa.

A startup polonesa OpenBooks trabalha nesta perspectiva. Ela permite que o livro seja baixado para o equipamento do usuário em três formatos (epub, mobi e pdf). O usuário lê o livro completo, analisa a importância, estabelece o preço e paga este valor. O link para pagamento está embutido no livro. Não gostou, apague o livro de sua máquina. Faça quantas cópias quiser, é legal e altamente incentivado por pode aumentar as vendas.

A única coisa que você não pode fazer é cobrar pelo livro e alterar conteúdo.

Tomasz Staniak, o proprietário da OpenBooks acredita nesta perspectiva de negociações. O que não se sabe é quantos autores irão abraçar a ideia e quantos usuários irão de dispor a pagar e estabelecer valores. Ele não é o único a considerar que na era digital, atitudes e formas de negociação precisam mudar.

Acreditar na partilha aberta, sem roubo e com valorização de material de terceiros não é uma atitude comum em todas as culturas.

Dar ao leitor o direito de escolher e dar ao material o que ele vale, pode ser uma atitude e um proposito que beira o idealismo. Na prática, muitos são os que consideram a ideia como sonhadora, mas gostariam de vê-la implantada. Mas inegavelmente ela irá incomodar a muitos diretores e donos de editoras, causando neles insônia, na procura de qual será a melhor forma de combater esta proposta.

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