Em um primeiro momento, o governador de São Paulo, ao declarar que não há greve dos professores estaduais - assim como declarou que não há falta d'água, crime organizado, nem epidemia de dengue - agiu conforme o avestruz, se escondendo do problema para ver se ele sumia, no entanto, nem a água jorrou, nem o mosquito pereceu, o crime também não se desorganizou e muito menos os professores pelegaram.

Posteriormente, o governador Geraldo Alckmin disse que a greve era de uma minoria e que a ausência diária de professores na rede estava dentro do normal.

Um avestruz faria o mesmo. A greve deixou de existir por causa disso? Não, os professores continuaram colocando entre 30 e 50 mil professores em suas assembleias no vão livre do MASP.

Não satisfeito em negar e diminuir a greve, o governador conseguiu duas liminares na justiça paulista. A primeira delas impede que o comando de greve entre nas escolas para conversar com os professores sobre os motivos e reivindicações da greve.

Estranho, se não há greve, como existe comando de greve? E se esses são inexistentes, por que proibir o que não existe?

Na segunda liminar, o governador conseguiu suspender uma liminar conquistada pelo sindicato dos professores, Apeoesp, a qual impedia que fosse feito o corte de ponto dos professores grevistas, uma vez que a greve já havia sido considerada legal pela justiça. Ou seja, o governador conseguiu cortar o ponto dos professores que exercem de forma legal um direito constitucional.

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Vagas Governo

Em uma primeira reunião entre o Governo e os professores, o governo não fez nenhuma proposta em torno das reivindicações. Os professores abaixariam a cabeça e retornariam às salas de aula então? Jamais.

Sem propostas do governo, a Apeoesp ajuizou ação de dissídio coletivo no Tribunal de Justiça para a categoria. Antes mesmo da reunião de conciliação, o governo já anunciava que não faria nenhuma proposta e foi o que fez, nada.

Para variar, nenhuma proposta para o fim da greve. O pedido de dissídio coletivo está nas mãos do TJ para análise.

Com sua postura o governo demonstra que não está nem um pouco empenhado em atender as reivindicações dos professores, nem de negociar, visando um fim para a greve. O descaso desse governo com a Educação é visível. Os professores, além de aumento salarial, mais que justo, lutam por uma educação decente no estado: menos alunos por sala, reabertura de salas e períodos fechados, cumprimento da lei do Piso Nacional da Educação, concursos públicos periódicos, verbas para pequenos reparos e manutenção nas escolas, equidade para com os professores temporários.



Na última reunião entre a secretaria e o sindicato, dia 13 de maio, o governo começou a fazer algumas propostas bem aquéns das reivindicações. Reabertura de salas, diminuir a superlotação de alunos por sala, devolver o direito dos professores temporários utilizarem o plano de saúde dos servidores, ou seja, a proposta do governo é simplesmente reconhecer que erraram nesses pontos e voltar atrás, uma vez que todas essas medidas foram impostas por esse próprio governo.

Não há proposta para avançarmos na melhoria da educação. Mais uma vez o governador demonstra que é à favor da continuidade da greve, já que não toma atitudes condizentes para negociar o fim da mesma.

Governador, nesses termos, a greve continua. É curiosa sua atitude em querer dar continuidade à greve. Caso queira realmente que a greve termine, negocie com propostas decentes para os professores e a educação de São Paulo como um todo.

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