Com seu parceiro ao seu lado, o Monsenhor Olaf Charamsa realizou uma entrevista coletiva no sábado (3) em Roma, convidando o Papa Francisco para revisar a doutrina católica sobre a homossexualidade, que considera relações do mesmo sexo como pecaminosa.

Charamsa, 43, disse que o momento do anúncio foi destinado a colocar o tema antes do Sínodo dos Bispos. A assembléia de três semanas de bispos de todo o mundo que começou domingo (4), tem como pauta questões enfrentadas pelas famílias católicas.

"Minha decisão de 'sair do armário' foi muito difícil e pessoal no mundo homofóbico da Igreja Católica. Eu peço que vocês tenham em mente esta realidade, que é difícil de entender para quem não tem vivido através de uma passagem idêntica em sua própria vida", disse Charamsa aos repórteres.

Sentindo-se em paz

Eu sinto a liberdade, paz e felicidade por estar próximo a vontade de Deus em minha vida."Seu caminho, ele disse, foi compreender sua orientação, sua natureza e refletir sobre isso."Agora eu posso dizer que sou um padre feliz. Agora eu sou transparente ", disse.Sua orientação sexual foi dada a ele por Deus, Charamsa disse, chamando-a de um projeto de Deus para ele entender e partilhar a sua reflexão com os outros."Minha decisão de revelar isso é o meu presente de padre gay para os outros", afirmou.

Enquanto mostrava pouca inclinação para ajustar a doutrina da Igreja sobre a homossexualidade, o Papa Francisco tem muitas vezes enfatizado misericórdia sobre o julgamento. Em 2013, por exemplo, ele disse a famosa frase: "Quem sou eu para julgar os padres homossexuais que procuram fazer a vontade de Deus.

"Gays, filhosde Deus"

Desde 2003, Charamsa tem sido um membro da Congregação para a Doutrina da Fé, que tem a tarefa de promover e defender a doutrina da Igreja.

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Nascido em 1972 em Gdynia, Polónia, Charamsa também serve como secretário-assistente da Comissão Teológica Internacional e leciona teologia em duas das universidades pontifícias de Roma, a Gregoriana e a Pontifícia Ateneu Regina Apostolorum.

"Cada pessoa homossexual é um filho de Deus", disse. "Esta é a vontade de Deus para a nossa vida, também para minha vida com ele."

Igreja desafiada

A revelação pública de um sacerdote sênior associado ao Vaticano é um desafio direto e a altura do "não pergunte, não diga" a Igreja sobre o homossexualismo, advertem peritos.

A admissão de Charamsa apresenta dois problemas: sua orientação sexual e a violação de sua promessa de celibato em reconhecer que ele tem um parceiro.

"A parte mais censurável de todas, para o Vaticano, foi a publicidade que ele procurou, com o desejo expresso de influenciar o resultado do Sínodo dos Bispos sobre a Família", escreveu o jornalista John Thavis, autor de "Os Diários do Vaticano", em seu blog.

Depois do anúncio de Charamsa, o Vaticano disse em um comunicado que Charamsa "será certamente incapaz" para continuar em seu papel com a Congregação para a Doutrina da Fé e as universidades pontifícias.

"A decisão de fazer uma declaração tão aguçada na véspera da abertura do Sínodo parece muito grave e irresponsável, uma vez que visa sujeitar a Assembleia Sinodal para uma indevida pressão da mídia", disse o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

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