“Devemos fazer o bem sem olhar a quem” diz um ditado popular e é exatamente isto o que têm feito alguns moradores de Goiânia, pois em 16/09/2015 foi posta uma geladeira na Rua 7, no coração da capital de Goiás. Qual o objetivo dessa ação? Embora a notícia possa parecer ultrapassada, o seu conteúdo está mais vivo do que nunca, pois até hoje diariamente, aumenta o número de pessoas necessitadas que retiram gratuitamente da geladeira vários tipos de alimentos.

A ideia criou corpo quando Fernando Barcelos, que é empresário na região, copiou o exemplo na internet, ou seja, em uma noite quando ia embora para casa do trabalho, ele avistou uma mãe com sua criança, solitárias e famintas e assim, por 3 dias, ele as alimentou. Estava implantado sem retorno, o germe da sensibilidade no empresário. “Pesquisei na internet que a ideia da geladeira de rua já tinha sido colocada em prática tanto na Arábia Saudita, quanto na Holanda, onde resolvi fazer o mesmo aqui em Goiânia”, diz Barcelos.

A Rua 7 fica bem perto da Avenida Goiás, reduto de usuários de drogas e moradores de ruas que transitam pela localidade, o que garante a grande movimentação de “consumidores” e pessoas que abraçaram a proposta no mínimo filantrópica. Washington Gomes, de 43 anos, que é morador das ruas em Goiânia frisou que durante a noite é bem mais complicado para os sem tetos, porque passam mais fome. “Os cidadãos ficam com receio e não ajudam quase nada.

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Os estabelecimentos que têm comida e até ajudam, estão com as portas fechadas. Eu prefiro isto, do que pedir dinheiro... já tirei da geladeira frutas, macarrão e até uma pizza que estava muito boa”, confirma Washington.

O suporte no abastecimento da geladeira é feito por Raiany de Sousa, de 24 anos, que trabalha como auxiliar administrativa em outro escritório local e a mesma relata que “ao sair à noite, há ainda muita comida boa na geladeira, porém pela manhã, não tem mais nada”.

Raiany confirmou que a geladeira é cedida por 24 horas durante a semana, sendo recolhida nos finais de semana.

Até agora, nunca foi encontrado algo suspeito ou uma surpresa desagradável dentro do equipamento, até mesmo porque é inspecionado cotidianamente e se algum alimento estiver fora do prazo de validade, é retirado de imediato. O criador do projeto reitera que a ideia “é bastante democrática, ou seja, não se precisa preencher uma ficha para se retirar a comida, não precisa de nada.

Só depende da fome e da consciência da pessoa”.

As regras para se doar comida são: tudo tem de estar lacrado; dentro do prazo de validade; não se pode colocar ovos, carnes, peixes, bebidas de teor alcoólico ou embalagens que estejam abertas na geladeira. Pessoas das redondezas que abraçaram a causa, entre elas o dono de restaurante, Eustáquio Ribeiro, de 48 anos, dão marmitas e outros alimentos diariamente.

Por outro lado, esta situação de penúria dos moradores de rua somada ao “bom coração” de grande parte da população, leva à reflexão de alguns que se perguntam: qual o papel do governo em tudo isto; será que ele (governo) não está se omitindo de suas responsabilidades sociais básicas; deve-se dar o peixe ou ensinar a pescar; não se está condicionando que as pessoas fiquem cada vez mais ociosas e não trabalhem pela sua subsistência; isto só funciona no exterior ou aqui no Brasil também? Fato é, que até ser encontrada a resposta correta, pelos menos mais alguns sem tetos da Rua 7 e adjacências não dormirão com fome mais uma noite.

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