Moças e rapazes, em geral nascidos e criados por responsáveis dotados de situação financeira estável, compõem um grupo que vem sendo chamado de “Geração Canguru”. Esses jovens optam por adiar sua independência e iniciar a vida adulta por diferentes motivações.

Análises comportamentais realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que os principais fatores que contribuem para a permanência desses jovens na casa dos pais, estão relacionados a investimentos na formação educacional, com o objetivo de obter melhores chances de colocação no mercado de trabalho.

Aqueles que atualmente concluem a Graduação, em sua maioria, buscam dar continuidade imediata aos estudos, ingressando em Cursos de Pós-Graduação ou Extensão Universitária.

Essa especialização acadêmica requer, quase sempre, dedicação integral, e, quando há remuneração, esta advém de bolsas de estudo, cujo valor baixo é insuficiente para garantir a independência econômica e o sustento dos estudantes.

A pesquisa revela ainda que é mais frequente a permanência dos jovens junto às famílias, em grupos sociais com rendimentos acima de cinco salários mínimos, sendo a maior incidência na Região Sudeste e a menor na Região Norte. Em famílias com renda inferior a um salário mínimo, a permanência dos filhos adultos em casa deve-se predominantemente à falta de recursos financeiros para atender necessidades básicas de sobrevivência.

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Relacionamento

A decisão de adiar a saída de casa, no entanto, é um fenômeno mundial. A sociedade vem assumindo um padrão de Relacionamento familiar baseado na dependência emocional; os pais dos jovens da “Geração Canguru”, cresceram sonhando com ideais de liberdade e independência. Para eles era propósito de vida sair da casa dos pais e ser responsável por seu sustento.

O estabelecimento da relação direta entre a capacidade de adquirir bens materiais e estar maduro para enfrentar a vida, influenciou de maneira decisiva a concepção desses pais acerca da educação ideal para seus filhos.

Movidos pelo orgulho de poder proporcionar-lhes todas as condições para que reproduzam, mais tarde, a situação de conforto e segurança que recebem em casa, eles apoiam a sua permanência junto à Família por tempo indeterminado.

O maior prejuízo fica por conta da idealização que esses jovens podem vir a fazer de uma situação perfeita para que eles possam, então, iniciar a vida adulta. A fim de que o seu amadurecimento psicológico não fique prejudicado, é fundamental que, mesmo morando com os pais, esses jovens tenham atribuições na organização e manutenção da casa; e que, desde que tenham renda financeira, passem a contribuir com as despesas, ainda que minimamente.

Outra questão importante é o nível ilimitado de liberdade que as famílias podem vir a oferecer a esses rapazes e moças no ambiente familiar; é uma tendência perigosa sentir-se desconfortável para estabelecer regras para os filhos, que pela idade já são adultos; mas, ao mesmo tempo, continuar a oferecer-lhes cuidados mínimos como lavar suas roupas, limpar o seu quarto e preparar sua comida, como se ainda fossem pequenas crianças.

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