Estudantes contrários à reorganização escolar se manifestam em diversos pontos da cidade de São Paulo e na Grande São Paulo. Os alunos pedem que o governador Geraldo Alkmin recue da decisão de dividir as escolas por ciclos e feche mais de 90 escolas no estado.

Nesta quinta-feira, 03, houve mais protestos na região central de São Paulo, no cruzamento entre a Avenida Angélica e a São João. Há registros também na Marginal Pinheiros, sentido Interlagos. Na Zona Sul, alunos protestaram na avenida João Dias e na estrada M' Boi Mirim, que foi totalmente interrompida.

A via Francisco Morato também foi bloqueada e na zona Oeste, a rua Heitor Penteado.

Em todos esses locais as vias já foram liberadas. Não se sabe quantos protestos ainda estão previstos para hoje, pois foram registradas quinze manifestações até agora e elas continuam acontecendo por toda a cidade.

Os estudantes reclamam da truculência da polícia, que usa spray de pimenta e bombas de efeito moral. Há relato de jovens que foram para o hospital com ferimentos causados por policiais. Eles alegam ter apanhado com cassetete, além de terem sido empurrados com violência.

A onda de protestos começaram no início de novembro, com mais de 200 escolas ocupadas por estudantes e manifestações nas ruas. Os alunos fecharam as vias com cadeiras escolares e faixas com mensagens contra o governo e a reorganização.

As manifestações dividem os cidadãos, enquanto alguns apoiam e acham nobre a mobilização dos alunos que clamam por uma Educação de qualidade e o direito de escolher onde estudar, outros acham que o governo está correto em dividir as escolas, que as manifestações atrapalham o trânsito e impedem o direito de ir e vir das pessoas.

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Medidas que visam a melhoria da qualidade de ensino são louváveis, contudo, medidas que afetam a vida dos estudantes de uma hora para outra, impostas de cima para baixo, e sem a possibilidade de diálogo, dá a entender que o governo não dá a devida importância a educação. Este ano, professores da rede estadual ficaram três meses de greve e não conseguiram nenhum acordo com o governo, além de terem seus salários descontados sem direito à reposição.

Enquanto as manifestações aconteciam somente dentro das escolas, o governo tentava minimizar as manifestações, dizendo que estava aberto ao diálogo, mesmo sem dar abertura para que ele acontecesse.

Agora, a obstrução de vias públicas atinge cidadãos, que possivelmente foram e podem ser futuros eleitores, caso o governador se candidate à presidência. Alckmin se posiciona como se estivesse interessado em preservar direitos dos cidadãos, como se a luta pelo direito de escolher onde estudar e o clamor por uma educação de qualidade não fosse também um direito dos estudantes.