O parlamento brasileiro está inovando. Agora a palavra "decoro", antigamente utilizada para designar cordialidade e respeito, ganhou nova roupagem e foi devidamente interpretada como "dê coro". Com isso deputados estariam autorizados a, literalmente, dar cabeçadas. 

As primeiras repercussões da alteração já estão sendo vistas na Câmara dos Deputados. Nessa última terça-feira (8), durante a votação para a escolha da comissão que decidiria sobre a abertura do processo de impeachment da presidente, alguns deputados tentaram impedir a votação civilizada com socos, chutes e, adivinhem, cabeçadas! Nada mais genial.

Para quem subestima nossos representantes (eles não estão lá por acaso), outra interpretação brilhante.

Como a violência tem sido o meio mais eficaz de resolução de problemas, não haveria, então, necessidade de votações (livre manifestação da opinião). Assim, sobrou para o patrimônio público, duas urnas foram quebradas e três desinstaladas.

As deliberações prosseguiram e, pegando carona no sucesso do "MMA", uma nova alteração pode ser proposta: a modificação das sessões de votação por "rounds".

Acredita-se que a medida não traria qualquer impacto negativo junto à sociedade, já que os investimentos destinados às áreas de segurança e educação acabaram tornando a violência como o meio mais comum para a resolução dos conflitos. E além do mais, para o povo não haveria prejuízo, já que o mais forte continuaria em posição vantajosa.

Muito se falou, também, sobre a existência de "golpe". Os nossos deputados, a exemplo dos melhores lutadores, mostraram que não há somente um, mas vários "golpes".

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Devido à repercussão do caso, algumas pessoas já comentam que parte do Parlamento pode ter sido contaminada com o tal "zika", não se sabendo ao certo se com isso houve diminuição na capacidade cognitiva dos nossos representantes. 

O mais interessante dessa história toda é que dela podemos tirar uma lição: a de que os maus políticos se proliferam da mesma forma que o mosquito da dengue, através da nossa omissão.