Em 13 de dezembro, a principal notícia divulgada pela mídia brasileira abordava asmanifestações públicas em favor do Impeachment da Presidente Dilma Rousseff. O encontro em Brasilia, capital federal, foi nos jardins do congresso, incluindo pessoas de cidades adjacentes.

As notícias não especificaram o número exato de participantes, variando de 6.000, segundo estimativa da Polícia Militar (PM) até 30.000 presentes, estimado pelos grupos que organizaram o movimento.

O movimento é mostrado na mídia como se a maioria dos brasileiros quisessem o impeachment, mas uma analise rápida de alguns números mostra que isso não é verdadeiro.

De acordo com o IBGE, Brasilia tem uma população estimada em quase três milhões de habitantes. Considerando esse número, os participantes do movimento de hoje está entre 0,2% e 1,0% da população local. Comparando com o percentual dos dados de 1992, quando o presidente brasileiro teve o mandato cassado, no caso, Fernando Collor, o resultado é vinte vezes menos pessoas nas ruas hoje.

Sendo importante ressaltar que, naquele ano, não havia internet ou smartphones para "chamar" as pessoas para as ruas, e, ainda assim, o número é bastante superior aos de agora. Com isso, no melhor dos casos, atualmente apenas 1%, no máximo, está mostrando que deseja o impeachment.

Essa analise simples não mostra que a Presidente está correta, mas mostra que a população não se importa com esse assunto político, porque os congressistas que estão planejando tomar o poder possuem pendências com a justiça também, desde o escândalo da Petrobras, entre outras (incluindo os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, assim como o próprio Vice-Presidente).

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Na outra mão, a maioria dos eleitores da presidente não tem casas, celulares e até são analfabetos funcionais. Esses últimos fatores podem explicar porque as manifestações a favor da Presidente também não aparecem.

Algumas questões exigem respostas: a primeira é porque os principais noticiários do Brasil mostra manifestações contra a Presidente como o desejo da maioria da população, quando muitos juristas dizem que não existem provas contundentes?

Outra questão seria, até que ponto o noticiário encobre o caso do desastre ecológico de Mariana, em Minas Gerais, até o litoral, com mais de 500 km de extensão, e porque as companhias que detêm o direito de explorar as minas não estão ajudando nem o povo da região e nem a recuperação do ambiente?

Uma possibilidade é que a curva de distribuição de renda ficou mais suave e moveu pessoas da linha abaixo da pobreza para uma nova classe média, com mais possibilidades de empregos.

O corrupção denunciada aumentou na mesma velocidade, com julgamentos dos principais empreiteiros do país, sendo condenados, pela primeira vez, desde o seu descobrimento, em 1500.

A maior acusação teórica para o impeachment é que a Presidente não pode tomar dinheiro dos banco públicos para pagar o Bolsa Família (em torno de US$ 20.00 por família que ganhe menos que isso por mês), ou para manter o emprego de milhares de industriários, para garantir o nível de demanda interna artificial.

Uma boa metáfora seria que a Presidente entrou no cheque especial e agora precisa negociar os juros e o pagamento.

A pergunta é: se o impeachment não é um preço muito alto de juros para pagar, ao custo de “golpe”, porque os partidos que atuam na disputa estão envolvidos na corrupção e muitas relações entre o publico e o privado foram expostas com os recentes julgamentos, sendo a Petrobras o melhor caso?

Muitos bancos apresentam relatórios com lucros anuais superiores a 20% de taxa de retorno. Assim, fica a pergunta final: deveria a Presidente deixar os pobres morrerem de fome e mantido o alto rendimento dos bancos, para mostrar para investidores que o Brasil é viável? E se fosse seu filho, deixaria a conta estourar ou alimentaria ele?

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