A vitória do liberal Mauricio Macri na eleição presidencial da Argentina, depois de 12 anos de um governo populista, aumentou a esperança de todo latino-americano, que deseja ver o continente livre de um bolivarianismo fragilizado, mas desesperado para se manter no poder.

Entretanto, a ansiedade para comemorar os bons resultados pode causar uma perigosa distração, impedindo até o mais atento de identificar oportunistas que almejam a volta do retrógrado sistema socialista ou políticos suscetíveis a se corromper e criar alianças que ameaçam à democracia.

A história mostra casos que ensinam que é justamente nos períodos de aparente vitória que se deve tomar as medidas mais cautelosas para impedir o retrocesso, como aconteceu com a Colômbia, em 2010, quando os colombianos comemoraram a vitória do liberal Juan Manuel Santos para a presidência da República.

Santos foi Ministro de Defesa no governo do seu antecessor, Álvaro Uribe, no qual idealizou diversas operações militares contra as FARC, uma das organizações narcoterroristas mais antigas da América, como a Operação Fênix, responsável pelo ataque ao acampamento de membros do alto-escalão da guerrilha, e a Operação Camaleão, responsável pelo resgate de quatro oficiais da polícia e do exército.

A armada contra a guerrilha trouxe bons resultados ao país. Segundo dados do Ministério da Defesa, entre os anos de 2002 e 2009, o terrorismo diminuiu 61%, a taxa de homicídios caiu 45% e a apreensão de drogas aumentou 46,7%. Os bons números e a real sensação de segurança nas ruas foram fatores determinantes para a vitória de Santos, que também defendia a pauta conservadora-liberal, para o desgosto da esquerda internacional.

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No entanto, tudo mudou em 2012, quando Santos iniciou um processo de cessar-fogo com as FARC e de inserção deste último na política colombiana, conhecido como “Lei de Justiça e Paz”. Após esta lei, uma série de acontecimentos prejudiciais à democracia começaram a surgir, como acusações defraude na eleição presidencial - existindo casos até de eleitores sendo ameaçados por guerrilheiros armados das FARC para que votassem em Santos – e nas recentes Eleições municipais.

A lei também garante a quase imunidade à organização criminosa. Em uma entrevista à CNN espanhola, o presidente Santos deu a entender que os guerrilheiros das FARC, se fossem presos, sofreriam penas brandas e depois seriam remanejados com todos os direitos civis e políticos. A desconfiança tornou-se certeza quando em setembro deste ano, em Cuba, Santos e o líder máximo das FARC, Rodrigo Londoño, anunciaram um acordo de transição jurídica para oficializar o acordo.

Entre os pontos discutidos, está a substituição de prisõespor indenização às vítimas, anistia anarcoterroristas e ocancelamento deextradições. Para o líder das FARC, o acordo “busca a paz que garante aos colombianos a reconstrução da pátria em novos parâmetros”. Para o presidente Santos, o acordo será um “adeus definitivo à última e mais longa guerra da Colômbia”.

De um mantenedor da democracia a um aliado do bolivarianismo, Santos é um exemplo claro de que, quando tudo parece estar se resolvendo, o “eixo do mal latino-americano” sempre procura uma forma de impedir a sua queda e se manter no poder, nem que seja aos moldes da silenciosa subversão ideológica.

Que os argentinos comemorem o avanço do verdadeiro progresso, mas quenão seesqueçam de que a luta não acabou, e como disse Edmund Burke: “um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”.

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