O Brasil gasta muito na logística e o brasileiro precisa começar a entender como as artimanhas de custo levam ao cidadão a pagar muito mais do que o que seria justo, mesmo com os altos impostos incluídos. A conta pode ser parametrizada utilizando o seguinte raciocínio na Região Norte (com 7,5% da população brasileira, segundo o IBGE em 2012), onde o preço do litro da gasolina está cotado a R$3,80, aproximadamente, com variações superiores a 10% em função do posto.

No país vizinho, a Venezuela, o litro do combustível é de US$0,04 (equivalente a R$0,16/litro). Segundo a mesma fonte, o preço do litro no Brasil chega a US$0,93 (equivalente a R$3,72/litro). A diferença (R$3,56/litro ou R$178,00/tanque de 50 litros ) é o quanto é gasto desnecessariamente pelo brasileiro. Toda essa diferença contribui para o avanço da inflação de dois dígitos.

Outra vantagem: diferença na distância para transportar o combustível

A distância entre o Rio de Janeiro e Manaus é superior a 5700 Km, por via marítima, enquanto para a capital da Venezuela, Caracas, é inferior a 2500 km, o que reduz em mais de três mil quilômetros o preço do frete do transporte do combustível.

De Caracas a Belém, a distância também é inferior a 2500 km, mas como a distância náutica é superior a 4000km, então o frete é também muito caro. O raciocínio é simples, mas aparentemente não está sendo utilizado pelos agentes políticos, pois o preço do combustível na região Norte é muito elevado e facilita o desmatamento com a criação de unidades de exploração do petróleo no meio da selva.

Problema: o Rio de Janeiro, ex-capital brasileira

Uma análise simples indica que o poder político do Rio de Janeiro, fazendo com que todo o combustível tenha como sede de partida aquele Estado, gera esse “esquema” de logística de combustíveis bastante deficitários.

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Governo Política

Além de favorecer alguns escândalos políticos. Por outro lado, o Rio de Janeiro é mais atraente para manter as sedes das empresas de combustíveis, inclusive transportadoras, porque tem aspectos políticos que só agora com os escândalos da Petrobras começam a ser re-desenhados. Isso sem falar na influência das usinas de açúcar e as destilarias de etanol, que ainda preferem a proximidade dos portos tradicionais por motivos históricos de navegação das grandes descobertas e da origem das capitais.

O primeiro passo é desconcentrar a logística de combustíveis

Se o Governo estabelecesse uma nova Política de portos graneis líquidos, trataria de especializar terminais de portos próximos a grandes rios para o transporte de combustíveis a granel, o que favoreceria portos como o de Bélem/PA, Manaus/AM, Rosana/SP, Natal/RN entre outros, diferentes dos tradicionais. Tal mudança serviria para diminuir o custo Brasil, elevar a carga tributária sem onerar os preços (a R$1,86 como preço final do litro, significaria R$1,70 de impostos e taxas), o equivalente a 91% do preço total, muito acima do valor atual.

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