Salas de aula vão apertar cintos em 2016

A lógica do preço industrial e do comércio em tempos inflacionários continuam valendo no contexto escolar conforme anunciado pela rede Estadão, o que não seria nada, pois onde estudam 30, podem estudar 33, mas aquela rede de noticias indica salas com até 85 alunos por turma. Com essa argumentação o governador do Estado de São Paulo autoriza a Educação a ampliar em até 10% o número máximo de alunos por turma. O cenário é aparentemente inocente no aspecto econômico, pois ao aumentar o número de alunos, o governador poderá administrar um número menor de salas, fazer a reforma desejada em 2015 e ainda promover algum aumento salarial à custa da não contratação de muitos outros professores, principalmente os mais caros.

Economia de R$ 1 bilhão no ensino

Dados do Censo Escolar do Estado de São Paulo Informe 2014, publicados pelo site da Educação pelo próprio Governo paulista, indicam que naquele ano houve quase 11 milhões de matriculas no Estado de São Paulo, representando quase 21% das matriculas no país, entre ensino básico e profissional. Tomando como base 30 alunos por sala, seriam mais de 357 mil salas de aula no Estado. Ao admitir o aumento de alunos por turma, a pasta de Educação pode significar uma redução de pelo menos o mesmo percentual do número de salas de aula, ou a não contratação de quase 35 mil professores. Em valores de salários próximos a R$2.000,00, tomando como base o piso do salário nacional do professor publicado no DOU em 2015, a redução de professores totalizaria uma economia de R$70.000.000,00 por mês (setenta milhões de reais), equivalente a quase um bilhão de reais por ano.

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Fechamento de escolas e demissão de professores

A medida pode levar ao fechamento de 350 escolas, considerando 100 salas por Escola, quando se sabe que nem todas as escolas possuem tantas salas, principalmente no interior do Estado. O decreto é como um castigo por terem se comportado mau. A reforma está sendo implantada de outra forma, aumento a reserva do dinheiro para uso nas eleições do ano corrente. Também não está claro como seria o fechamento das escolas ou qual o destino dos prédios, enquanto isso a APEOESP está de férias, pois o noticiário underground ainda não mostrou nenhuma manifestação em relação a esse assunto.

Notas de ENEM vão precisar de cursos extras. E a APEOSP?

A qualidade do ensino certamente vai piorar, pois as salas não são expansíveis e nem haverá investimentos suficientes para equipamentos escolares suficientes a todos os que serão matriculados nessas condições. Por outro lado, a incidência de doenças profissionais no professores, incidindo mais substituições é inevitável.

Outro aspecto que tem grande probabilidade de ocorrer é a de políticos reclamando de órgãos fiscalizadores independentes, como OCDE, alegando que a metodologia das notas deles não confere com a realidade. Vale lembrar que a melhor nota de matemática no último ENEM foi de um aluno nordestino e não no estado que diz investir mais na educação. Realmente, basta um fato para provar que o dinheiro não só está sendo investido de forma ineficiente, como não é o único fator que leva uma população a crescer.