Em dezembro de 2014, as operadoras de TV paga no Brasil comemoravam estupefatas o número de 20 milhões de assinantes. A probabilidade desse número aumentar era algo real na cabeça dos empresários do setor, mas não foi isso que aconteceu. Em dezembro do ano passado o número total de assinantes havia caído para 19 milhões. A grande responsável por essa mudança é a Netflix, serviço streaming, cujo número de assinantes é estimado em 4 milhões.

A mudança desses números não é dificil de entender. As operadoras de TV pagas estipulam valores de R$ 70,00 a R$ 300,00 em mensalidades para os assinantes, o que dá uma média de R$ 166,00. Os valores da "vilã" Netflix vão de R$ 19,90 a R$ 29,90 e ela apresenta um acervo gigante (incluindo produtos exclusivos) em filmes, séries e programas, e tudo com qualidade HD. Não é a primeira vez que a empresa americana incomoda os concorrentes.

As ações da Netflix são negociadas na Bolsa dos EUA, e tiveram valorização de quase 140% (em dólar) em 2015. É atuante em 160 países, e apesar de não revelar os números de seu acervo, estima-se que ela possua hoje cerca de 1 milhão de títulos (entre filmes, programas, seriados e séries). Seus lucros assustam de fato.

A União das concorrentes

De olho desses números, as operadoras de TV decidiram se reunir numa "força-tarefa" contra a concorrente estrangeira.

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Curiosidades

Acionaram um megalobby em Brasília, que vai atuar nos seguintes pontos:

1 - Que a Ancine (Agência Nacional de Cinema) exija da empresa americana o pagamento da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), cuja taxa hoje gira em torno de R$ 3.000,00 por cada filme do catálogo.

2- Que o Governo obrigue a empresa a oferecer um mínimo de 20% de produção nacional.

3- Defendem a cobrança de taxa de ICMS aos clientes Netflix de todos os estados do país.

4- Estudam a cobrança de uma taxa (da empresa ou dos assinantes de banda larga) quando o cliente usar streaming.

Vale acrescentar aqui que hoje a maior fornecedora do conteúdo nacional das emissoras é o Grupo Globo, e que assim como a Band (sua parceira em esportes), se recusa a negociar com a empresa americana.

Vale frisar ainda que a Globo possui 35 canais diversos na TV paga, podendo assim "prejudicar" grupos menores que se aliassem à Netflix.

Em nenhum país em que atua, a Netflix disponibiliza seus números para empresas de pesquisa. Porém, se as operadoras tiverem sucesso no intento (em relação às taxas da Condecine por exemplo) todo o acervo da concorrente estará disponibilizado.

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