A baixa da tarifa do transporte público na cidade de São Paulo é a exigência imediata do MPL, mas não a única. O grupo luta também pela tarifa zero geral a curto prazo - o objetivo principal, o "passe livre". Só este ano já são quatro atos de protestos contra o aumento, que se estendem na capital, desde que a tarifa subiu de R$ 3,50 para R$3,80 (09/01). A ideia da gratuidade no transporte paulistano não é nova.

Mas afinal, seria possível isso numa cidade como São Paulo? Há opiniões diversas, inclusive de especialistas no assunto. O prefeito Fernando Haddad parece não apoiar a ideia.

Em resposta à BBC Brasil, alguns especialistas acreditam que não só é possível eliminar a tarifa, como também a medida ajudaria a reduzir o trânsito, além de outros benefícios sociais. Mas as opiniões são divididas quando se trata de quem pagaria a gigantesca conta, que de acordo com Haddad gira em torno de 8 bilhões de reais, o que é equivalente a toda a receita do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) do município.

A palavra do prefeito

Na semana passada, o prefeito Fernando Haddad deu entrevista ao jornal Valor Econômico, na qual frisou que o transporte gratuito para estudantes e idosos já custa 2 bilhões de reais: "O dinheiro da prefeitura é dinheiro do povo. Se o povo entender que vale a pena colocar cem por cento do IPTU no transporte, tirando da saúde, educação é um direito da democracia; mas tem regras democráticas pra decidir isso".

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Política Opinião

A viabilidade e a posição contrária.

O engenheiro Lúcio Gregori, que foi Secretário Municipal de Transportes durante a gestão da prefeita Luíza Erundina (1989 a 1993) foi um dos autores do projeto tarifa Zero, que foi rejeitado pela Câmara na época. Hoje, ele ainda defende a ideia. Partilha da mesma Opinião o consultor e economista Paulo Sandroni, que foi presidente da extinta CMTC (Cia Municipal de Transportes Coletivos) e hoje é professor aposentado da FGV.

Para ele, o prefeito deve considerar que o custo das estruturas necessárias para se cobrar a tarifa de ônibus que é algo entre 20 e 22% do total seriam despesas a menos também. Ele sugere ainda o custeamento do passe livre por um aumento de imposto sobre carros de luxo e do IPTU das camadas mais ricas da população.

Já o economista Ricardo Gaspar, da PUC-SP, acredita ser inviável a tarifa zero numa cidade como São Paulo, por questões políticas e econômicas.

Quanto a ideia de aumento de impostos, ele acredita que enfrentaria muita resistência. Segundo ele, na prática, para custear um projeto desse porte o Município teria de abrir mão de algum outro não menos importante. Ainda ajuntou que seria pouco provável que a União e o Estado aumentassem o seu repasse para o Município, custeando assim o projeto.

Infelizmente além de o preço da tarifa ser absurdamente caro,a qualidade do transporte é péssima .

Algumas poucas cidades no mundo possuem o transporte público gratuito, mas em muitas delas empresas particulares também atuam para dar conta de toda a população; e em geral, são cidades muito menores que São Paulo.

Mas acredita-se que novas propostas de soluções possam ser ouvidas. A possibilidade de um projeto ousado para propaganda publicitária nos ônibus e terminais por exemplo, talvez ajudasse a pagar essa conta. Elaborado de uma forma profissional e organizada, como aconteceu na Linha 4 Amarela. Muita propaganda sim, mas não se sabe se estaria disponibilizada uma linha tão moderna e necessária à cidade como ela sem aquelas propagandas todas. Tudo tem um preço e a população também deve estar disposta de alguma forma.

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