O mosquito Aedes Egypt é o bode expiatório de toda uma cultura imperial brasileira, onde o descaso com o sanitarismo era implementado arquitetonicamente nas principais cidades nobres do Brasil imperial. A convivência natural com o escorrimento de dejetos no esgoto até o século XX em plenas ruas principais da cidade criou o Comportamento de circular naturalmente em meio ao lixo e às águas sujas nas ruas e terrenos.

Tal comportamento explica parcialmente porque o governo é inoperante quanto a espaços públicos contaminados pelo mosquito, com acúmulo de água em vários pontos: prédios tombados abandonados e com mato alto, estradas de ferro abandonadas com vagões velhos acumulando talvez milhões de larvas e principalmente na demora de instalação de estações de tratamento de esgoto em grande parte das cidades brasileiras.

O exemplo de esgotos da arquitetura de Parati

Pouca gente conhece a história e isso dificulta a análise do problema do mosquito. Tomando como exemplo a cidade de Parati, onde as ruas de pedras com formato irregular tinham uma declividade em “V”, permitindo o escoamento das águas pluviais para o litoral. Entretanto, antigamente, os banheiros eram na parte frontal da casa, com um buraco que permitia que os dejetos fossem transportados para a mesma vala da rua central e dessa para o litoral, contaminando também as praias da cidade.

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Com o tempo, os orifícios na parede foram fechados e os banheiros adaptados, mas a cultura da água para na rua foi mantido e serve de criadouro para os mosquito.

Imóveis públicos mostram exemplos de inatividade do governo para a população

Para a mudança do comportamento do brasileiro é necessário entender essa origem histórica e que pode explicar o que leva a uma inépcia frente às condições sanitárias adversas, pois o brasileiro vê com naturalidade o fato de existirem poças de água parada, circular em ruas onde o esgoto está a céu aberto.

Essa inépcia é agravada pelos governos federais, estaduais e municipais porque não concluem as instalações de tratamento de esgoto por já estarem acostumados e porque tais instalações não ficam à vista dos eleitores. Outro aspecto importante de notar é que as elites andavam a cavalo e de charrete, substituídos por carros atualmente, reforçando o comportamento de não perceber a gravidade da situação, pois o mosquito não escolhe por critérios socioeconômicos.

A campanha para o mosquito está fadada ao insucesso

Para mudar esse comportamento cultural será necessário algo maior do que as campanhas de visitar as casas à busca de possíveis reservatórios potenciais de procriação do mosquito, pois ainda vale o modelo imperial, ou seja, o exemplo que vem das autoridades, ainda em estado de paralização, pois só respondem à campanha durante a vigilância do jornalismo televisivo, mas mudando o comportamento fora da mira das câmeras.

Traduzindo em palavras mais simples, o problema funciona tal qual o comportamento em relação aos radares, redução da velocidade apenas no trecho aferido, mas desobedecendo as regras quando não há vigilância.

Fazer o que se fala por políticos é o melhor exemplo de combate à dengue

Uma forma de combater essa cultura é com a mudança do comportamento do políticos, que falam uma coisa e fazem outra. Esse exemplo é a principal mudança que levará a população a mudar também. Em ano de eleição é preciso escolher bem os vereadores, pois a atitude deles é mais observada do que eles próprios podem se perceber... Por isso escolha bem!

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