Desde a condução coercitiva de Lula, que deflagrou ações e reações sem fim, os brasileiros não sabem mais o que pode acontecer no momento seguinte. Naquele dia, Lula amanheceu depondo e anoiteceu quase candidato à presidência. Em seguida, o MP-SP o denunciou e pediu sua prisão preventiva. A juíza responsável declinou da batata-quente e a encaminhou a Sergio Moro.

Enquanto o Brasil se dividia entre o ódio a Lula ou a Moro, Dilma teve que se pronunciar sobre rumores de que renunciaria, refutando energicamente essa ideia, eopositores do PT e favoráveis ao partido e à democracia organizavam manifestações.

Nesse clima hostil, a notícia de que Lula poderia assumir a Casa Civil pipocava como uma saída para o Brasil, entre blogs de esquerda. Lula, com sua capacidade de articulação, poderia colocar um fim ao impasse que se arrasta desde a reeleição de Dilma e sobre o qual vale refletir.

Reeleita, Dilma passou a representar tudo o que a direita, a elite, os machistas e os que não se conformam com um legítimo quarto mandato do mesmo partido, odeiam.

Assim que foi reeleita, seus oposicionistas começaram a articular movimentos que a levassem ao impeachment. Na ocasião não havia motivo, mas uma enorme vontade de arranjar um. Puseram-se a trabalhar para isso.

O ano de 2015 foi terrível. Fatores mundiais e locais nos arrastaram para uma séria crise, agravada pela crise hídrica e pela atuação das agências de classificação de risco, das instituições financeiras, da mídia e do congresso mais conservador já eleito.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Lula Política

Uma gente que se esqueceu de que mais da metade do povo havia delegado a Dilma a direção do país e esperava que ela conseguisse trabalhar, até mesmo com a colaboração dos oposicionistas, pois essa é sua função. Dilma foi paralisada pela oposição. Nenhum presidente, por mais erros que tenha cometido, jamais foi tão desrespeitado. O projeto de derrubar o PT se sobrepôs à necessidade que o país tinha de caminhar.

Passamos por 2015 apenas sobrevivendo e entramos em 2016 no mesmo embate. Um réu, Cunha, encabeça o impeachment da presidente, liderando um congresso que não conseguiu afastá-lo por conta de suas escandalosas manobras. E o judiciário permite que ele zombe dos brasileiros. Mesmo assim, todos os holofotes da justiça e da mídia estão sobre Lula e Dilma.

Por fim, ela o nomeou ministro. Na mesma tarde Moro divulgou um grampo de uma conversa entre os dois que demonstrava a intenção de Dilma de proteger Lula de um juiz que tem, segundo respeitados juristas, se excedido.

Lula e Dilma passaram pela ditadura. Foram presos. Dilma foi torturada. Se a intenção de proteger o companheiro de luta era sua principal motivação ao nomeá-lo, também não parece que a intenção de tirar o Brasil da estagnação fosse só uma desculpa. Dilma deve estar muito cansada.

Outros grampos vêm sendo divulgados, com requintes de edições, chamadas enganosas e tons e expressões de novela mexicana.

De lá para cá, iniciou-se uma guerra judicial e Lula já foi ministro e deixou de sê-lo várias vezes. As manifestações aconteceram, imensas, mas não é sua função garantir o lugar de uma presidente legitimamente eleita. Cabe ao Supremo fazê-lo, e com isenção. Enquanto isso, brasileiros se agridem, até fisicamente, as pessoas não podem mais sair às ruas de vermelho e a nossa velha e boa fama de povo pacífico ficou pra trás. Está passando da hora dos formadores de opinião se darem conta do tamanho da responsabilidade que têm.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo