Os anos de 2014 e 2015 não foram grandiosos para a Televisão aberta brasileira. A Rede Globo enfrentou péssimos momentos em sua audiência com o baixo desempenho de suas tramas. Nesse período, foram várias as novelas abaixo da meta: Jóia Rara, Meu Pedacinho de Chão, Boogie Oogie, Além do Horizonte, Geração Brasil, Em Família, Babilônia, etc. É uma quantia de 10 das 14 tramas produzidas. Uma maioria.

Na Rede Record, a situação foi ainda pior. Nos últimos anos a teledramaturgia do canal, completamente decadente, reduziu sua quantia de horários, chegando a ficar em alguns momentos sem nenhuma novela no ar, e ao levar algo ao público, fracassava. O canal não reconhecia o sucesso com uma obra desde Vidas em Jogo, exibida em 2012.

O SBT foi provavelmente o canal mais estável, que conseguiu se manter numa média razoável, e chegou a se destacar com algumas de suas produções, apelando ao público infantil - principalmente.

Além dos baixos índices das telenovelas, que são o principal produto televisivo brasileiro, grande parte das outras produções das emissoras também estavam fadadas ao fracasso.

Após os tempos de 'vacas magras', começou-se a absorver recuperação e crescimento no segundo semestre do ano de 2015. Na emissora dos Marinho, as novelas começaram a crescer em relação a suas anteriores, sendo que pode se destacar o sucesso de público da trama Além do Tempo, ressaltando ainda o atual excelente desempenho de Êta Mundo Bom.

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Televisão

No horário das 19h, Totalmente Demais é um fenômeno que não se via há anos, obtendo constantemente índices acima dos 30 pontos. Por fim, A Regra do Jogo, que sofreu em seu início com sua concorrência, conseguiu se recuperar, ainda que o canal rival também esteja bem.

No SBT, que já se mantinha razoavelmente, o crescimento dos números é notável. Nas últimas semanas, por exemplo, suas novelas da tarde bateram recordes, atingindo dois dígitos no ibope. Houve ainda a estreia de uma nova trama, Meu Coração É Teu, que já chegou atingindo altos índices: 10 em seu primeiro capítulo e 9 no segundo, algo que não se via por parte de novelas mexicanas na emissora há vários anos.

E por fim, cabe ressaltar o desempenho da Rede Record e da Tv Bandeirantes. A primeira, após anos com novelas em ostracismo e perdendo a vice liderança para o SBT, foi aos céus com o altíssimo desempenho de sua novela bíblica Os Dez Mandamentos, que impulsionou ainda a audiência das reprises de minisséries que havia produzido anteriormente. O segundo, conquistou o público com a versão brasileira do reality Master Chef, além de chamar a atenção com as curiosas novelas turcas.

Confiante, a emissora lançará também uma versão brasileira do famoso reality musical, The X Factor.

Coincidentemente com esse crescimento, sentido inverso seguiu a economia brasileira, que em queda, culminou uma crise econômica. Mas como esses dois acontecimentos poderiam se relacionar entre si?

O consumo de entretenimento vem sendo comum ao povo brasileiro desde a primeira metade do século passado, e se tornando costume, ele não é abandonado, mesmo em tempos ruins.

Sentindo no bolso o desenvolver da crise, o telespectador começou a abrir mão do entretenimento requintado da televisão à cabo, crescente nos últimos anos, para retornar ao entretenimento grátis e 'comum', ou a um mais em conta, como é o caso do streaming, à exemplo da Netflix. O sentido crescente da televisão paga caiu para dar espaço à uma notável queda. Foram mais de 500 mil usuários perdidos em quatro meses do último semestre. Esse público migrou, sendo recebido pela televisão aberta, que disposta a se recuperar, investiu também no aumento da qualidade de suas produções, além de sua diversificação.

A TV aberta tem seguido novas premissas, deixando de lado o comodismo para dar espaço ao dinamismo. Exemplo disso é o investimento em séries feito por todas as quatro principais emissoras. O tempo que crise durar será, apesar dos pesares, importante para definir o panorama de consumo de entretenimento no Brasil atual.

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