Após dois dias de disse me disse, Dilma veio a público, ontem, 16, falar sobre a nomeação de Lula para ministro da Casa Civil. Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, esclareceu que sua escolha foi motivada pela experiência do ex-presidente, que considera de grande valia para seu governo. Negou ter nomeado Lula para lhe garantir foro privilegiado, e considerou que esse questionamento coloca em dúvida a competência do Supremo Tribunal Federal, uma vez que o fato de Lula ter foro privilegiado não significa que não será julgado, apenas que será julgado pelo STF.

Vale lembrar que o STF julgou o mensalão, que levou José Dirceu e Genoíno à prisão.

Alguns especialistas já vinham se manifestando positivamente em relação à possível nomeação de Lula. Dalmo Dallari, em entrevista ao Portal vermelho, afirmara que "Lula como ministro é rigorosamente constitucional", pois não pesa sobre ele nenhum processo formal. O ministro do STF Marco Aurélio Mello, em entrevista à Rádio Estadão, também se mostrara positivo quanto à nomeação de Lula, que disse entender não como uma tentativa de protegê-lo, mas como uma tentativa de tirar o país de um impasse nacional.

No final da tarde de ontem, o juiz Sergio Moro, que julgaria a denúncia e o pedido de prisão preventiva contra Lula, não tivesse ele sido nomeado ministro, divulgou conteúdo de grampo telefônico em que Dilma avisa Lula estar lhe enviando o termo de posse como ministro para que o assinasse e pudessem usá-lo caso fosse necessário.

A partir daí o conteúdo do grampo ganhou contornos de golpe e o tom do noticiário inflou a população, deflagrando manifestações Brasil afora.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Lula Política

Trechos de grampos foram divulgados em tom sensacionalista e conteúdos até pálidos ganharam colorações só possíveis por conta da vasta paleta fosforescente da grande mídia.

No final do dia, juristas se manifestaram quanto à divulgação do grampo e sua legalidade, uma vez que seu conteúdo envolve a presidente, que tem foro privilegiado.

O presidente da OAB-SP, Marcos da Costa, referiu-se ao grampo como "um estupro do Estado Democrático de Direito" e se disse disposto a entrar com ação contra Sergio Moro.

O ex-presidente da OAB, Marcelo Lavenère, disse que em qualquer país civilizado Moro estaria preso por lesa-pátria. À noite a OAB divulgou nota manifestando preocupação com a preservação da legalidade e dos pressupostos do Estado Democrático de Direito. Repudiou o procedimento de Moro, que considera típico dos estados policiais e que coloca em risco a soberania nacional.

Enquanto isso, manifestantes gritavam , na Paulista, enlouquecidos: "Lula em Curitiba!"

Hoje Lula tomou posse e Dilma criticou duramente o grampo e sua divulgação.

Em seguida o juiz Itagiba Catapretta Neto, da Justiça Federal de Brasília, que tem uma página do Facebook dedicada a combater o governo do PT, determinou a suspensão da nomeação de Lula, alegando indícios de crime de responsabilidade. O advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, veio a público dizer que a iniciativa não tem amparo legal e que o governo já recorreu da decisão. O STF, até a tarde de hoje, 17, já recebera dez ações protocoladas contra a nomeação de Lula.

E juízes de vários estados do Brasil fizeram atos em apoio a Moro, como se ele tivesse sofrido qualquer sanção por conta dos abusos que tem cometido.

A questão é: por que aqueles que odeiam Lula desejam tanto que ele seja julgado por Moro? Ser julgado por Moro seria garantia de condenação a qualquer custo? O que isso significa?

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo