Há um ditado que diz: "quem fala o que não deve, ouve o que não quer". A adaptação "quem mostra o que não deve pode ver o que não quer" pode ser apropriada ao caso do envio de selfies para a grande rede. O que parece ser uma brincadeira pode se tornar, na realidade, algo um pouco mais perigoso, moldado, especificamente, por personalidades narcisistas. Recente pesquisa desenvolvida pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) definiu o exagero no uso dos selfies como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Estas coisas, antes privativas dos consultórios psiquiátricos, se tornaram famosas depois que o rei Roberto se revelou uma de suas vítimas (quem lembra do seu transtorno com a cor azul?).

Quando o selfie é um problema?

A APA propôs um pequeno teste: quantas vezes você se fotografa durante o dia?

  • Três vezes ou menos, sem colocar na rede: Ainda passa. É aceitável em uma sociedade que cultua a personalidade;
  • Três vezes por dia com publicação na rede: A coisa está ficando crítica e a pessoa está entrando na fase aguda;
  • Desejo incontrolável de se fotografar durante o dia e postar seu selfie pelo menos seis vezes ao dia: A pessoa é considerada perdida.

Apesar de possíveis dúvidas, manifestas quando da publicação da pesquisa, não é possível negar que, para pessoas que atingiram um nível crônico, o fato pode indicar, como a pesquisa sugere, uma situação de transtorno obsessivo-compulsivo.

Retornando aos laboratórios acadêmicos, eles nos mostram um estudo feito no Maudsley NHS Trust and The Priory Hospital. Por aqueles lados, onde o que até parece loucura é tratado de forma séria, dados foram apresentados que consideram que estas pessoas possuem o TOC como um processo dismórfico corporal. Aqui a coisa exige explicação. O fenômeno indica que as pessoas que assim procedem apresentam grave problema de saúde mental relacionado com a imagem corporal.

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Opinião

Outra pesquisadora, Pâmela Rutledge, é um pouco mais incisiva ao dizer que “a preocupação com selfies pode ser um indicador visível de falta de confiança, o que pode fazer uma vítima sofrer com os mais variados problemas.” Outra pesquisadora, Ana Luiza Mano, aponta para o quão danoso pode estar sendo o uso de selfies. Com este transtorno, a pessoa pode receber em troca graves prejuízos sociais, físicos e profissionais.

Imagine se você esqueceu algum detalhe que revele mais do que você queria, ou mostrou algum detalhe que não deveria mostrar. A coisa pode gerar em assédio moral, sexual ou outro qualquer menos votado. Em casos mais sérios, se o envio para uma mesma pessoa se efetivar, podemos estar frente ao bullying digital.

Assim, se você estiver com vontade de se autofotografar e postar sua imagem nas redes, conforme foi descrito, tome cuidado.

Jogue fora seu pau-de-selfie, pois o aumento angular do alcance pode mostrar lugares ou coisas indevidas. Use uma solução mais radical: compre um celular que faça apenas aquilo para o qual foi originalmente criado: fazer e receber ligações telefônicas. Se não conseguir viver longe de seu celular inteligente, controle-se então e aproveite para escolher algum com uma boa câmera.

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