O que podemos esperar do dia 18 de abril?.Alguns comentam a ocorrência de uma luta armada entre grupos de direita e esquerda, da tentativa de retomada do poder pelos militares, da invasão de um exército bolivariano já pronto nas tênues linhas fronteiriças, e, de forma quase inimaginável, a renúncia da presidente Dilma. São muitas as possibilidades, já que tantas cabeças elaboram muito mais sentenças.

Contudo, o que esperamos é tão somente a retomada dos rumos do país, a derrocada de uma direita fascista e magoada com sucessivas (e necessárias) derrotas nas urnas nas últimas eleições majoritárias, ou ainda o surgimento de um ranço adormecido esquerdista amparado por querelas tão antigas quanto à ditadura brasileira.

E isso seria o fim? Ledo engano! Seria quem sabe o começo, o realinhamento político-partidário, uma retomada ontológica do ser político e do fazer-se cidadão que procura explicações mais lógicas e não tão ignótas sobre a miséria social na qual vivemos nas últimas décadas.

Teríamos um apartamento dos velhos hábitos, das condutas inoportunas e tendenciosas de antigos coronéis que perderam o título, mas nunca a vontade e fome de poder. Teríamos mais liberdade de escolhas e menos possibilidade de procura, visto que existem muitos Bolsonaros, tantos Cunhas, tantas Martas vira-casacas, tantas Marinas em cima de muros, tão altos e intransponíveis. Teríamos alguns Aécios, poucos Lulas, raríssimas Dilmas, mas com certeza teríamos até Janaínas!

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O que fazer então na segunda-feira dia 18 de abril de 2016? Escrevamos novas páginas em nossas histórias e corrijamos os equívocos eleitoreiros! Retoquemos as mazelas separatistas do sul, as agressões de direita, a tentativa de assassinato da razão e o linchamento de quem saí de vermelho nas ruas.

Lembremo-nos que nosso sangue é vermelho! E que nossa luta não deveria ter cor, nem raça, nem credo, nem opção sexual (se é que temos opção).

Nossa luta dia 18 deve ser por volição de novos homens (e mulheres!), novas criaturas, menos soberba política, menos ganância material e ideológica e mais gana pela terra de gente que se faz gente e se constrói com o outro e consigo mesmo. Que possamos beijar nossas esposas e maridos, acarinhar as testas de nossos filhos e seguir na busca por uma nação mais justa, fraterna, igualitária, menos hipócrita e mais shalom.

Que os derrotados saiam de cena de cabeça erguida e que os errantes possam arcar com a consequência histórica de seus atos sórdidos. Que o sol brilhe, sem manchas, sem sangue, sem dores e que haja uma inquietude por aquilo que não temos e não vemos na política e nos olhares: o reflexo de nós mesmos e de nossas intenções despidas de ódio, rancor, discriminação, e senso comum. Que os vencedores não traiam a nação, não traiam o pobre, nem o doente, que sejam decentes e ajam como docentes que ensinam ao mesmo tempo que aprendem.

Que no dia 18 de abril, haja consenso e haja paz!

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