Um jovem transexua,l de 18 anos, foi agredido em Barueri, São Paulo, na quarta-feira, 6 de abril. Segundo consta, Kaique Klein foi perseguido por dois homens e golpeado quando chegava em casa. Conforme relatou ao jornal Extra, enquanto o atacavam, os agressores gritavam:“Você não é homem? Então aguenta a porrada! Vamos fazer voltar a ser mulher, você nem tem pinto”.

O discurso dos indivíduos que bateram em Kaique revela o quanto nos prendemos à simplificação da identidade com base em um órgão aparente.

Pensar que o sexo não se restringe ao pênis ou à vagina em específico, estando relacionado também a diversas configurações bio-genéticas e ao cérebro, é demais para quem teme que a complexidade leve a uma desorganização das verdades.

Assustador como é o caso, ele faz parte de estatísticas com números altos - o Brasil é o país em que mais transexuais são assassinados no mundo. E, como se não bastasse a ameaça constante sofrida por transexuais, ao lermos os comentários da notícia, percebemos uma coisa: a transfobia é endossada por muitos que acomodam seu preconceito e sua ignorância sob a máscara conveniente da opinião.

Preconceituosos, em sua maioria, temem que suas certezas sejam postas em xeque e, por isso, apegam-se a supostos ensinamentos e conhecimentos obsoletos para justificar a forma como encaram o diferente.

Indivíduos que acham que "não concordar com" ou "não aceitar" a transexualidade é um pensamento viável, não se dão conta de que não lhes cabe dizer se aceitam ou não a condição do outro, pois não se trata de uma questão de opinião ou escolha, mas de algo sobre o que não se tem controle.

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A pessoa trans não exerce controle sobre sua identidade de gênero, ela apenas a expressa - e essa identidade não tem nada a ver com a pessoa ser heterossexual, homossexual, bissexual ou assexual, pois a sexualidade é um outro elementode uma personalidade e não tem relação com a forma como o indivíduo se expressa, apenas com quem ele se relaciona.

Uma série de estudos sobre a condição trans demonstra que ela está associada a fatores biológicos múltiplos, referentes à genética e à "recepção" hormonal.

A "variação sexual" que faz com que indivíduos não sejam "totalmente machos" nem "totalmente fêmeas" existe, inclusive, entre animais, como é o caso de leoas que apresentam jubas e agem de maneira dominante, ou entre as hienas, em que são as fêmeas as detentoras do falo - seus clitóris chegam a ser maiores que os pênis dos machos e, quanto maior, mais chances a fêmea tem de acasalar e de se tornar a matriarca de um grupo.

Enfim, há muito ainda que não sabemos a fundo sobre as manifestações de características sexuais no corpo, principalmente, porque um número considerável delas ocorre no cérebro, órgão que ainda apresenta os maiores e mais complexos segredos do corpo humano para os pesquisadores.

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