Este não éum artigo político, nem mesmo jurídico, apenas comportamental. Aliás, ele pede asuspensão do juízo sobre a questão da corrupção. Trata-se deum exercício de boa vontade. Ele pressupõeque o triplex do Guarujá e o sítio de Atibaia, são realmente de amigos leais (e de ideais) do ex-presidente. E mais: foram adquiridos da forma mais honesta, frutos do seus respectivos salários. Bem... a perguntaque fica, é: por que exatamente Guarujá e Atibaia?

Afinal, existem tantas praias e campos por este Brasil menos relacionados com a elite.

Não se deve acusar levianamenteninguém de hipocrisia nos discursos, mas... qual o interesse emdesfrutar as horas de lazer, com pedalinhos e visões oceânicas tão próximo de uma elite sempre apedrejada nos palanques? Claro, numa democracia liberal, qualquer um tem o direito de fazer o que quiser com o seu dinheiro, mesmo que outros não tenham o mesmo privilégio.

Um privilégio conquistado não precisa ser dividido. Ou precisa? Claro, isso divide opiniões, mascomo foi dito no início, este não é um artigo político.

Como também a necessidadede alguém se tratar no Sírio Libanês, que é um hospital de burguês, e no qual talvez não existam médicos cubanos, não deveria ser cobrado na forma de um patrulhamento ideológico. Assim como o fato de alguns sítios não serem invadidos pelo pessoal do MST, para que as crianças do acampamento possam brincar em pedalinhos, não deveria ser jogado na cara de ninguém.

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Governo Corrupção

Vivemos numa democracia liberal. Uma democracia não deveria conviver comgolpes de Estado.

A ironia é que nos recentes comícios anti-golpistas, a abundante cor vermelha remete em geral a regimesanti-democráticos. Mas isso deve ser apenas uma coincidência. Como aquelas bandeiras pedindo um país operário e socialista. Elas estavam lá lutando pelo estado de direito e não por um regime no qualum partido único, com um líder carismático, não suportaalternância no poder, que é um pressuposto básico do espírito democrático.

Ora, mas isto foge à regra deste artigo, quenão é sobre política, nem mesmo sobre jurisprudência. É um comentário sobre comportamento. Sobre este estranho fascínio quealgumas personalidades possuem de permanecerem na proximidade daquilo que criticam.

É uma singelareflexão sobre coerência.

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