No dia 20 de maio, a cantora gospel Ana Paula Valadão decidiu manifestar sua indignação com a campanha da C&A e recebeu a seguinte resposta, publicada no Facebook da rede de lojas e ovacionada por muitos: “A nova campanha da C&A 'Dia dos Misturados' tem como tema principal a celebração do amor e dá continuidade à nova visão da C&A sobre a Moda, lançada em março com a campanha 'Misture, ouse e divirta-se.' Livre de todo e qualquer tipo de preconceito e estereótipo, o novo filme, que celebra o Dia dos Namorados, faz um novo convite à mistura de atitudes, cores e estampas como forma de expressão.

A C&A reforça que o respeito à diversidade, inclusive de opiniões, sempre foi um dos princípios da marca. #DiaDosMisturados”.

Enquanto uns apoiam e elogiam e outros boicotam, a C&A aproveita a visibilidade conquistada nas redes sociais com a campanha “Tudo lindo & misturado”, sem se dar conta de que, na verdade, cometeu uma falha bastante incômoda.

A ideia da loja é a de romper com estereótipos em sua nova coleção, mas, uma das estrelas do comercial, Maju Trindade, não apenas os reforça, como também é preconceituosa e conhecida por comentários discriminatórios.

Em seu Twitter, Maju já fez declarações contra mulheres trans, contra gordos e usou diversas vezes a expressão “cabelo ruim” para se referir a cabelos crespos.

Nesse sentido, se a empresa de publicidade contratada pela C&A procurou romper com estereótipos e abraçar uma pseudo-diversidade, ela negligenciou uma parte importante do quesito representação, colocando alguém elitista e nada consciente para fazer parte da campanha.

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Moda

Aqui, obviamente, a força comercial fala mais alto, uma vez que a garota de 17 anos se tornou uma sensação do YouTube e é muito querida entre os adolescentes.

A agênciaque desenvolveu a campanha para a C&A é a mesma responsável pelo comercial de O Boticário que trouxe casais gays, o que mostra o quanto os publicitários estão atentos às movimentações sociais.

A respeito das roupas que a loja diz romper com estereótipos e da possibilidade de serem “misturadas”, há também críticas que precisam ser feitas, a começar pela separação tradicional das seções em “feminino” e “masculino”.

Dificilmente um homem encontrará um vestido ou uma saia na seção masculina e, procurando na seção feminina, a dificuldade é que alguma peça lhe sirva adequadamente. A conclusão é que a ideia do “misturado”, que soa muito bem na publicidade, não foi adotada na prática.

Em termos de diversidade, trata-se também de outra “capitalização”, uma vez que, apesar da escolha por apresentar mais modelos negras e negros, tatuados, com piercing, de aparência andrógina, permanece o padrão da beleza magra e sem espaço para inovações.

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