No Dia do Trabalho, uma data de grande simbolismo na luta dos trabalhadores por melhores condições de vida, Dilma anunciou duas medidas que evitou tomar anteriormente, quando ainda imaginava ser possível governar até 2018: a correção da tabela do Imposto de Renda e o reajuste dos proventos do Programa Bolsa Família.

A notícia poderia ser excelente, já que a tabela do Imposto de Renda acumula uma defasagem, em relação à inflação, de 72% e os proventos do programa Bolsa Família já estavam mais que na hora de ser reajustados. O problema é que isso deveria ser feito com recursos disponíveis, de acordo com um planejamento capaz de não causar danos ainda maiores às contas do país.

Mas, a intenção do governo não parece ser zelar pela saúde econômica do país ou da sua população. O objetivo dessas medidas parece ser mesmo o de criar ainda maiores dificuldades para um provável governo Temer e, de quebra, deixar que o partido saia do poder com argumentos de que só quis beneficiar os mais necessitados. E isso pode ser importante no discurso petista para 2018.

Mas isso mais parece vingança ou desrespeito com as finanças públicas? Sim, mas tudo bem. Isso não é problema para o partido que destroçou a Petrobras, assaltou os fundos de pensão que pertence aos trabalhadores das estatais e distribuiu favores para empreiteiras em troca de propinas que sustentaram a máquina partidária e o enriquecimento de membros da sua cúpula.

O “pacote de bondades” apresentado na festa de Primeiro de Maio pode também querer nos fazer acreditar em uma guinada à esquerda, uma volta aos princípios que nortearam a fundação do Partido dos Trabalhadores.

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Mas demonstra apenas que o PT continua acreditando que pode fazer o que bem entender e utilizar recursos públicos em benefício do partido.

O ovo da serpente

Os indícios de que alguma coisa estava errada no partido já eram visíveis há muito tempo. Quando criticado por algo tão pueril como usar o carro de som de um sindicato na campanha política, o partido reagia dizendo que isso podia não ser legal, mas que era legítimo, pois se tratava de dar voz ao partido que representava os mais pobres. Era o ovo da serpente, que foi chocado e eclodiu criando a situação que vivemos.

Foi com o mesmo argumento do legal versus o legítimo que o partido justificou as pedaladas fiscais e os desmandos na Petrobras. Nossas dificuldades atuais estão nessa crença de que o partido pode passar por cima de tudo e de todos, simplesmente porque se intitula defensor dos trabalhadores e dos mais pobres.

Talvez os fundadores do PT tenham sonhado em criar um partido de esquerda, socialista, mas conseguiram fazer apenas mais uma agremiação populista que, com suas atitudes, ameaça o nosso futuro, como indivíduos e como nação.