É surrealista esta reação de alguns segmentos da nossa sociedade em relação à extinção do MinC.O país passa por um momento crítico em relação a sua economia e isto não parece ser tão relevante. Pergunta-se, então, o que falta a estes intelectuais para entenderem que será necessário um esforço comum para recuperar a nação. Milhões e milhões de brasileiros desempregados, milhares de lares sem condições de pagar a sua conta de luz, o seu condomínio, piorando a qualidade de sua alimentação e será a manutenção de um Ministério que lhes trarão conforto?

"To be or not to be, that is the question", diria Shakespeare. Diriam que o país está retroagindo, mas de fato está, está economicamente falido e sem perspectivas de voltar a crescer em curto prazo o que induz a pensar que as prioridades da população se darão no âmbito da sobrevivência.

É surreal pensar que tantos intelectuais se apeguem ao discurso em defesa do MinC e não se atenham às necessidades daqueles cidadãos, aqueles que eles mesmo dizem serem pobres, aculturados, para não dizer analfabetos.

É pura ironia ver esta esquerda militante vestida de fraque e cartola defendendo as suas regalias enquanto o povo, cantando em verso e prosa, nem sabe para onde ir, tão pouco sabe qual será o seu destino nos próximos anos. Esta arte tão defendida chega ao povo? A arte que alardeia a fome, a miséria, não teria olhos para entender que a prioridade hoje seria restabelecer a economia e dar uma alento àqueles que acabam sendo sua fala, sua poesia, o seu canto?

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Política

Num país em que a educação é um desafio pelas suas condições geográficas, pela precariedade de escolas, pela carência de bons professores e ainda assim resta-lhes um salário miserável o que podemos denominar "Cultura"? Cultura não seria ter acesso e estar apto a ler grandes obras literárias? Não seria poder ir ao teatro e ter a possibilidade de desenvolver seu intelecto podendo entrar no bojo da discussão e assim melhor entender o mundo em que vive?

Esta bipolaridade intelectual é sarcástica e inumana, é difícil entender como estes mentes privilegiadas não tenham vistas ao momento, de que adianta cultura onde a fome campeia, tanto orgânica como intelectual. Afinal, a quem os incentivos culturais favorecem? Ao José padeiro, à Maria lavadeira, ao João ascensorista? É óbvio que não, estes artistas tão indignados deveriam descer dos palcos, sair dos esplendor dos holofotes, e pensar em seu povo que eles tanto defendem e no entanto, na hora da mudança, e se apegam a seus direitos de forma tão egoísta e desumana.

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