Criado pela empresa Ipsos MORI, o "Perils of Perception" (em português, Perigos da Percepção) aponta para o índice de informações erradas que a população de um determinado país teria sobre questões básicas a respeito dele próprio, como, por exemplo, percentuais de riqueza e índices demográficos.

A última avaliação dos resultados foi feita em outubro de 2015, a maior realizada até o momento, envolvendo habitantes de 33 países.

A partir da análise, a empresa especializada no desenvolvimento de pesquisas divulga o que chama de "Index of Ignorance" (em português, Índice ou Indicador de Ignorância). Sendo assim, o conceito de ignorância aqui adotado é diretamente relacionado ao desconhecimento de informações objetivas sobre o país em que o próprio entrevistado vive. O Brasil se encontra no 3º lugar dessa lista, atrás apenas do México e da Índia.

Segundo dados da pesquisa, os entrevistados brasileiros subestimaram a quantia de dinheiro nas mãos dos que fazem parte da estimativa de 1% mais ricos do país, mas superestimaram o número de pessoas que não se dizem afiliadas a uma religião; também têm uma percepção errada em relação à percentagem de imigrantes que vivem no país, com uma média de resposta de 25% - quando, na verdade, o real índice de imigrantes corresponde a 0,3% da população.

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Na percepção dos entrevistados, a média de idade do cidadão brasileiro é de 56, mas o valor real é de 31 anos. A respeito da percentagem de mulheres na política, o brasileiro também superestimou o índice, respondendo com a média de 18%, quando, na verdade, apenas 10% dos cargos políticos são ocupados por mulheres. Para os brasileiros, 34% da população vive em áreas rurais, mas o índice real é de 15%.

Quanto ao acesso à internet, apesar de os entrevistados indicarem 72% da população, a verdade é que apenas 53% dela tem meios de navegar pela rede a partir de um computador ou celular.

Observando algumas das perguntas, o que é possível notar é que falta ao brasileiro se informar sobre a real dimensão de muitas questões no país. Infelizmente, essas impressões traduzidas em números distorcidos vem de diversos fatores estruturais e de pensamentos que são difíceis de se desconstruir.

Não há dúvidas de que as imagens cuidadosamente trabalhadas e difundidas pela mídia têm influência nesse alto índice de equívocos, bem como o pouco estímulo que temos para desenvolver uma percepção crítica com um mínimo de distanciamento das grandes doutrinas ideológicas que se ligam na manutenção das redes de poder.

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