O professor de Ciências Políticas da Universidade de Massachusetts Dartmouth, Gene Sharp, é o autor da obra “Da Ditadura à Democracia  - uma estrutura conceitual para a libertação”. No livro, Sharp mostra como aplicar um “Golpe Suave” ou "Revolução Colorida" numa Ditadura, atingindo o seio dela de tal forma, que ela não conseguiria se reestruturar.

Só que a tática não vem sendo usada apenas contra ditaduras, mas também contra democracias. A Venezuela vem sofrendo uma série de tentativas de “Golpes Suaves”. Todas sem grandes sucessos, em muito pela resistência do seu povo. O país, como se sabe é um dos maiores produtores de petróleo no mundo.

Fala-se muito sobre a influência do livro na eclosão da chamada Primavera Árabe em países como o Egito, Líbia e Síria. Esses sim, regimes opressores, que, no passado, alguns chegaram a ser aliados dos Estados Unidos. Todos, produtores de petróleo. Todos, pontos estratégicos na África árabe ou no Oriente Médio.

A Ucrânia, que também foi palco de uma “Revolução Colorida”,  protagonizou na realidade uma guerra por mercado de gás na Europa. Sendo o país por onde passavam os gasodutos russos, era mais do que estratégico. E a bomba estourou justamente porque os Estados Unidos descobriram uma grande reserva de Gás de Xisto. E vender seu gás para os países europeus era essencial, só que bem mais caro, já que não dava para fazer um gasoduto cruzando todo o Oceano Atlântico. 

No ano passado (2015), o ex-agente duplo (Cuba x Estados Unidos), escritor e professor, Raúl Antonio Capote Fernández falou ao portal Sul 21, sobre como o Governo estadunidense, através da CIA, aplica “Golpes Suaves”.

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“A ideia da guerra não violenta consiste em ir solapando os pilares de um governo até que ele imploda. O objetivo não é fazer com que um governo renuncie. Se isso acontecer, o projeto fracassou. A ideia é que o governo imploda e que isso cause caos. Com o país em caos, é possível recorrer a meios mais extremos”. E isso quer dizer que podem fazer ascender ao poder, quem os interessa. Alguma semelhança com o que fizeram com o governo da presidenta Dilma Rousseff?

Se olharmos bem, foi justamente o que ocorreu na Primavera Árabe. Com uma pré-guerra civil, no Egito, quem subiu ao poder primeiro foi a Irmandade Muçulmana. Obviamente não sendo do interesse dos EUA, com um pouquinho mais de tempero de caos social, finalmente conseguiram a ascensão de um governo militar, agora sim do interesse dos norte- americanos.

Na Síria é que a coisa fugiu totalmente de controle. A Guerra Civil perdurou em muito pela resistência de Bashar al-Asad, pela resistência dos rebeldes contra o ditador sírio, e por conta de dois temperos extras: a ascensão do Estado Islâmico e a resistência curda na região de Rojava.

O que realmente interessa aos EUA, no Brasil, é o fato de que somos hoje um grande produtor de Petróleo, com potencial absurdo de aumento das nossas reservas, depois da descoberta do Pré-Sal. O desmantelamento da Petrobras não é à toa. Claro que os casos de corrupção são reais, mas o interesse verdadeiro habita um lado bem oculto.

Em 2010, cinco telegramas foram vazados pelo Wikileaks, mostrando o interesse da missão americana no Brasil, ao acompanhar a elaboração das regras para a exploração do Pré-Sal e sua insatisfação com a lei de exploração aprovada pelo Congresso -  em especial, com o fato de que a empresa seria a única operadora. Mostrava como passaram a pressionar o Senado para mudar essa lei, e de como José Serra havia se comprometido com a Chevron em muda-la, beneficiando as petroleiras americanas.

Recentemente o mesmo Wikileaks vazou documentos que mostram que o presidente interino, Michel Temer foi informante do Governo dos EUA. O que nos espera no geral, ainda é uma incógnita. O ponto é: a partir daqui, a coisa descamba para um conflito violento, já que as esquerdas estão se organizando e indo para as ruas? E dessa situação, o que poderemos ter?

Bem, a projeção é ruim, em todos os sentidos.