Aflitos com o martelar constante em nosso subconsciente de irrespondíveis perguntas (quem somos, o que somos, para onde vamos), procuramos respostas que nos proporcionem conforto e acolhimento em realidades que nos sejam tangíveis, inegáveis e definitivas, baseadas em primitivos ou sofisticados sistemas filosóficos políticos ou religiosos, que norteiam o comportamento humano em situações sociais diversas, num clube, no emprego, na família.

Angústias

No entanto, num mundo instável, onde tudo se move e se transforma, queremos a estabilidade e a imutabilidade das situações; num universo cultural de extrema complexidade, ansiamos pela resposta simples; num ambiente social de múltiplos conflitos, estamos sempre prontos para crer cegamente em tudo o que se nos apresenta, na vã expectativa de diminuir nossa angústia existencial, o que não acontece.

Acreditamos em tudo - podemos ser adoradores do fogo, crentes fanáticos de seitas religiosas ou raivosos militantes de partidos políticos. Perseguimos, com obtusa determinação, o simplismo filosófico das inexistentes verdadesabsolutas. Já adoramos os raios das tempestades, os deuses de inumeráveis eras com múltiplos nomes, perseguimos os que pensam diferentemente e ainda matamos em nome de Deus.

Crenças

Qualquer pessoa com razoável abertura intelectual, despida de arrogância e preconceito, vai perceber que todas as filosofias que geramos, em milênios de vivência humana, não foram respostas definitivas às nossas angústias.

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Religião Opinião

E nem deveriam ter sido, pois faz parte da nossa evolução a constante procura de uma continuidade através de novas mudanças e adaptações comportamentais, de forma continua e mutante, que vai eclodir, consequentemente, na criatividade de novas posturas filosóficas.

O nosso grande erro é querer, ao elegermos algo como "verdade" aceitável, não apenas sua perpetuidade, como pretendermos passar nossas crenças para outros, em cuja aceitação reside, acreditamos, tornar verdadeiro o que julgamos ser "o certo", o que resulta em mais outra causa para conflitos, tiranias e guerras.

De certo modo, todos nós somos, em algum tempo e de alguma forma, conservadores. Resistimos às mudanças e ficamos obtusos e cegos, quando confrontados.

De fato, somos vítimas do medo. Aquele mesmo horror ancestral do homem das cavernas que olha para um raio e treme ante à fúria daquela "divindade". Precisamos reaprender o modo de vermos a vida, o mundo e nós mesmos da forma que somos - viajantes de passagem no vasto fenômeno humano, múltiplo, mutante e incompreensível na sua totalidade.

Porque, de qualquer maneira, somos todos agentes criadores e propagadores, sem distinção, na aventura de viver e participar da evolução de nossa espécie, ao longo de milênios.

Acredite em todas as verdades mas não creia definitivamente em nenhuma delas.

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