Toda essa situação que o Brasil está vivenciando no momento começou no início da operação "Lava Jato", uma investigação que descobriu um dos maiores esquemas de Corrupção no Brasil até o momento. Começou com um pagamento suspeito do lavador de dinheiro condenado, o Alberto Youseff, a um funcionário aposentado da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Desde então as investigações evoluíram apontando para altos funcionários públicos, políticos e jogadores-chave no setor privado, durante osgovernos Lula e Dilma.Deixando de lado o resultado político imediato das investigações e o debate em torno do impeachment, a minha pergunta é: como aproveitar corretamente o momento para realizar mudanças?

Em outras palavras, como podemos garantir que isso não aconteça novamente no futuro, após à recuperação do Brasil (sim, estou otimista)?

Pensando no passado, esta não é a primeira vez que a corrupção evoluiu ao ponto de causar instabilidade política ou comprometer a legitimidade dos governos. Em 1992 o presidente Collor de Mello foi acusado de desvio de fundos públicos e de receber contribuições ilegais de campanha.

Esses eventos custaram o seu mandato, depois de uma série de manifestações populares e pressão política até sua renúncia final. Este foi, e ainda é, considerado um marco na história da política brasileira. Um exemplo sem precedentes de envolvimento social dos diferentes representantes da sociedade civil, a classe política e os meios de comunicação, todos em busca de justiça e de deslegitimaro governo corrupto da época.

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Corrupção

Não é minha intenção reduzir a importância desses eventos passados, mas o que me intriga é o fato de que, em vez de produzir uma mudança para melhor, a história parece mostrar que, na realidade, nós evoluímos para trás: em 1992 o custo da corrupção associada com o mandato de Collor foi estimado em 19 milhõesde reais. Já atualmente, com a crise financeira da Petrobras, o custo estimadogira entre R$ 4,06 bilhões e R$ 88,6 bilhões, e está crescendo exponencialmente à medida que se descobrem mais esquemas.E ainda não está se considerando outras instituiçõescomo Eletrobras e Furnas, que também são empresas públicas e podem estar sob incentivos perversos semelhantes.

Parece-me que, ao longo dos anos, a corrupção encontrou as condições adequadas para florescer no Brasil. A questão é: por quê?

O meu medo é de que podemos estar agora em uma espécie de "visão de túnel", onde a imagem das instituições legais podem estar presas a um sensodistorcido de legalidade que nos impede de ver além das superfícies políticas. O Programa de Aceleração do Crescimentotambém pode estar enfrentando incentivos perversos semelhantes para a corrupção.

O problema é a barganha de alianças que asseguramo financiamento a uma área cinzenta como contribuições de campanha, por exemplo. O resultado pode ser desastroso. A Petrobras é a ilustração perfeita dessa situação.Claro que ter instituições sólidas é essencial. Nós não teríamos chegado tão longe nas investigações Lava Jato sem elas.

Ao todo, a minha esperança é que a Lava Jato possa nos oferecer em um futuro próximo a oportunidade de ver uma aplicação real de uma teoria da mudança.

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