Esse é um assunto muito sensível e polêmico que não sai de moda, já que discussões sobre o tema são diárias e recorrentes através de publicações, discussões em redes sociais, reportagens e documentários.Estamos falando da legalização da maconha.

Vamos abordar a questão sob a perspectiva do tráfico de drogas. Seria a legalização um meio de erradicar o tráfico e com isso reduzir a criminalidade ? Penso que temos aqui alguns fatores que deveriam ser apreciados, como por exemplo a proposta de anistia para pessoas que tenham sido presas, processadas ou indiciadas por tráfico de drogas.

O que isso propõe é que o traficante que vende drogas nas portas de Escola, desde que não tenha matado, roubado ou cometido qualquer outro crime que não a venda ilegal de drogas, seja perdoado e devolvido À sociedade independentemente de qualquer dano que a venda de drogas tenha causado para os usuários. Ou seja, se um usuário viciado comete furtos ou mesmo rouba para manter o vício, ele permanecerá preso enquanto o traficante receberá anistia.

Além disso, acreditar que a legalização das drogas acabará como tráfico é uma ilusão, afinal de contas a venda de cigarros é legal e mesmo assim basta dar uma volta no centro das grandes cidades para encontrar uma infinidade de ofertas de produtos contrabandeados.

Se tomarmos como exemplo países como a Holanda, cujo comércio e consumo foi liberado dentro de certas regras e proporções, podemos concluir que os resultados obtidos não foram exatamente positivos.

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Em Amsterdã, a legalização do comércio e consumo de drogas, aliado à legalização da prostituição, causou a degradação de bairros tradicionais da cidade além do aumento da criminalidade. Além disso, esse liberalismo atrai muitos “turistas da droga”, dispostos não apenas a consumir aquilo que é permitido por lei, mas tambémtodo e qualquer tipo de droga disponível, o que causou a proliferação do narcotráfico nessas regiões.

Um dos argumentos amplamente empregados em defesa da liberação das drogas é dizer que o cigarro ou sobretudo o álcool são legais, e ainda assim mais prejudiciais do que a maconha, o que não deveria servir de argumento pelo simples fato de que um erro não justifica o outro. Além disso, a indústria de bebidas, assim como a de tabaco, já possuem hoje uma cadeia produtiva e seu desmonte traria danos sócio econômicos em larga escala, o que dificulta e muito cogitar sua proibição ainda que do ponto de vista social e da saúde isso fizesse muito sentido.

Não se pode negar que ainda que não haja um consenso sobre a questão, é um fato que a maconha representa para muitos usuários a porta de entrada para outras drogas.

Alguns dados importantes sobre essa questão é que em pessoas geneticamente predisponentes o uso de maconha pode deflagrar números mais altos de quadros ansiosos ou depressivos, e de exacerbar esquizofrenia. Além disso, 10% dos usuários eventuais de maconha tornam-se viciados.

Se considerados só os adolescentes, esse número salta para 17%, dos quais cerca de 50% adotam uso diário. Conforme demonstrado em experimentos com animais, há considerável perda de fibras neurais após exposição à droga, com afetação de sistemas integrativos, aprendizado e memória. (The New England Journal of Medicine, 5 jun 14 2015, vol 370, pg 2219: “Adverse health effects of marijuana use”.)

Não tenho dúvidas de que esse é e sempre será um tema sensível e complexo, que precisa ser avaliado e apreciado sob muitas perspectivas. Não podemos ignorar os resultados práticos que tem sido evidenciados em países onde a liberação das drogas trouxe consigo mais problemas do que efetivamente a solução dos problemas propostos inicialmente. Seria inteligente navegar contra a maré e ignorar as evidências de que essa política de liberalismo talvez não seja a solução de fato para o problema das drogas ?

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