A atriz e ex-modelo Luiza Brunet registrou queixa no Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (GEVID) no dia 23 de junho após sofrer agressão por parte de seu companheiro, o empresário bilionário Lírio Albino Parisotto, com quem estava havia 5 anos.

Segundo Luiza, o episódio ocorreu no dia 21 de maio quando o casal estava em Nova York, após Lírio ter se exaltado quando, jantando em um restaurante com amigos, foi perguntado se o casal iria a uma exposição de fotos. Lírio respondeu que não iria porque, da última vez, havia sido confundido com o ex-marido de Luíza. Aparentemente, a pergunta levou o empresário ao descontrole.

O casal voltou do restaurante para o apartamento de Lívio, e foi aí que, relata Luiza, ele começou a agredi-la verbalmente e, em seguida, lhe deu um soco no olho e passou a chuta-la. Ele então a derrubou no sofá e a imobilizou com violência, chegando a quebrar 4 de suas costelas. A agressão só foi interrompida porque Luiza ameaçou gritar pelo concierge do Plaza Residence, onde estavam. A modelo relata que conseguiu escapar e se trancar no quarto até a manhã seguinte, quando retornou ao Brasil.

Desembarcando no Rio de Janeiro, Luiza conversou com uma amiga e decidiu ir a São Paulo para registrar queixa no Ministério Público (MP) e no GEVID, por ser vítima de violência doméstica. Ela também foi ao IML após o promotor de Justiça responsável pela investigação do caso, Carlos Bruno Gaya da Costa, da Promotoria da Vara da Violência Doméstica do MP, pedir exames de corpo de delito.

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Agora, o processo corre sob segredo de Justiça.

Luiza e Lívio se separaram logo após o ocorrido, e o empresário está proibido de se aproximar da ex-companheira por determinação do MP. Em nota, o acusado lamentou a exposição de “versões distorcidas sobre um episódio ocorrido na intimidade”.

No relato que ofereceu à coluna de Ancelmo Gois para O Globo, Luiza declarou: “Eu sempre tive uma família estruturada e sempre fui discreta em minha vida pessoal. É doloroso aos 54 anos ter que me expor dessa maneira. Mas eu criei coragem, perdi o medo e a vergonha por causa da situação que nós, mulheres, vivemos no Brasil. É um desrespeito em relação à gente. O que mais nos inibe é a vergonha. Há mulheres com necessidade de ficar ao lado do agressor por questões econômicas, porque está acostumada ou mesmo por achar que a relação vai melhorar”.

A coragem de Luiza Brunet de tornar pública a agressão que sofreu expõe uma realidade à qual muitas mulheres estão sujeitas. Infelizmente, separar-se do agressor e registrar queixa é uma atitude que nem todas tomam de imediato e, por vezes, a violência que se estende por dias, meses ou mesmo anos pode causar danos permanentes, principalmente a nível psicológico.

De acordo com o Mapa da Violência de 2015, 71,9% dos casos de agressão contra a mulher ocorrem dentro de sua própria residência e em quase metade dos casos há reincidência.