Em entrevista ao portal G1, o novo presidente da CâmaraRodrigo Maia (DEM-RJ) deu declarações preocupantes para a classe trabalhadora brasileira. Maia disse que quer votar ainda este ano uma proposta que permita que o "acordado" com o patrão se sobreponha à legislação, ou seja, aflexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em benefício dos empresários e em detrimento do trabalhador.

Nesta semana, o ministro do Trabalho Ronaldo Fonseca afirmou que o governo deve enviar ao congresso, em breve, uma proposta para regulamentar a terceirização.

O processo já havia sido iniciado na Câmara dos Deputados pelo ex-presidente Eduardo Cunha, e visa modificar a legislação para permitir a terceirização da atividade-fim de uma empresa. Com a lei vigente até agora, uma faculdade, por exemplo, não poderia privatizar o ensino; com as mudanças que se quer fazer, será possível.

As áreas trabalhistas e previdenciárias estão sob forte ataque do governo interino: ministros palacianos já defenderam inclusive que o trabalhador esteja em atividade até os 70 anos de idade para ter direito à aposentadoria.

Acontece que, em alguns estados brasileiros, como o estado de Alagoas, a expectativa média de vida da população é de 68 anos. Pela proposta do governo, o trabalhador terá que morrer primeiro para depois ter direito à aposentadoria.

A CLT tem pouco mais de 70 anos; foi criada no governo de Getúlio Vargas, em 1943, e garantiu ao trabalhador brasileiro o direito ao salário mínimo, a uma jornada de trabalho digna, ao registro em carteira profissional, entre outros.

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Vagas Michel Temer

Em tese, o que se propõe é que se rasgue os direitos trabalhistas e que se aceite a exploração que o trabalhador quiser, sem reclamar.

Como se não bastassem estas medidas, o ministro da Saúde de Michel Temer, Ricardo Barros, defende a criação de planos de saúde populares e o desmonte do SUS; o trabalhador, além de ter seus direitos previdenciários e trabalhistas prejudicados, ainda vai perder o direito de conseguir, no mínimo, um tratamento de saúde.

Este é um breve panorama do que espera o país no pós-impeachment, caso o afastamento definitivo de Dilma seja selado.

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