Diego Vieira Machado, 24 anos, era natural de Belém, Pará. Estudante de Arquiteturana Universidade Federal do Rio de Janeiro, já havia cursado Letras, escrevia poesias, pintava, desenhava e morava sozinho num cômodo que ficava no quarto andar do alojamento da universidade, na Ilha do Fundão. Além de negro, era homossexual.

O corpo de Diego foi encontrado por estudantes na noite de sábado, 2 de julho, próximo ao alojamento, sem calças, sem documentos e com sinais de espancamento.

Amigos e pessoas próximas à vítima acreditam que o assassinato tenha sido motivado por ódio, revelando que Diego já havia sofrido diversas ofensas de cunho racista e homofóbico.

Um e-mail encaminhado a bolsistas da UFRJ, datado a 20 de maio, refere-se à vida dos que recebem ajuda do governo para estudar com desprezo, fazendo uso de estereótipos associados aos estudantes das áreas de Humanas e que defendem ideias políticas esquerdistas.

No e-mail em questão, há menção a "um certo alun@ que se diz minoria e oprimido por ser homossexual" por quem o grupo pretendia "começar" - uma espécie de ameaça, assinada pela "Juventude Revolucionária Liberal Brasileira", organização que não existe oficialmente.

A autenticidade desse texto contendo a ameaça a quem provavelmente seria Diego é questionável, mas traz à tona uma questão que precisa ser intensamente debatida: a difusão de um pensamento conservador maniqueísta que vê o outro como inimigo e representante do "mal".

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LGBT

Sem necessariamente conhecer teorias e ideais referentes à política de direita ou mesmo do liberalismo, indivíduos adotam esse rótulo quando se identificam com políticos que alardeiam sobre a defesa "da família, da moral e dos bons costumes" e em favor do "cidadão de bem". Trata-se de uma linha política que faz uso da religião, de valores morais tradicionalistas (inclusive do militarismo) e obsoletos na tentativa de resgatar uma espécie de passado áureo que só existiu na imaginação dessas pessoas.

A figura do outro, por sua vez, é representada por qualquer indivíduo que, de alguma forma, questiona esse valores, seja a nível intelectual ou em sua própria vivência cotidiana. LGBTTTQIA+, negros, pobres, seguidores de religiões de matriz africana, feministas, enfim, todos os que se manifestam contrariamente ao conservadorismo tornam-se inimigos desse grupo que, em sua maioria, é composto por pessoas que não enfrentam opressões sociais em seu dia a dia - e que se recusam a enxergar o outro como oprimido.

Os assassinatos de Diego e André, a agressão a Mayra, os corpos carbonizados de Edivaldo e Jeovan, entre tantos outros acontecimentos, escancaram a fragilidade das conquistas obtidas pelas minorias oprimidas, as quais são constantemente invalidadas por aqueles que não se veem como privilegiados porque usam seus próprios problemas como bases comparativas - é como se eles fossem rebaixados cada vez que uma vantagem é concedida a um grupo historicamente oprimido visando àdiminuição das diferenças que separam as minorias dos privilegiados.

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