Háum ano atrás o Brasil não tinha uma lei antiterrorismo, nem tinha sequer motivos diplomáticos para ser alvo de algum ataque terrorista. A sociedade brasileira nunca teve motivos sólidos para pensar que poderia ser atingida por tal mal. Terrorismo para nós, brasileiros, sempre foi uma coisa distante. Coisa dos Estados Unidos e da Europa, que estão diretamente envolvidos com o Estado Islâmico.

Por que surgem, então, da noite para o dia, notícias como prisão de dez possíveis terroristas e a extradição do professor franco-argelino (foi acusado de envolvimento com terroristas na França) que vivia no Brasil?

Como chegamos a esse ponto? Seremos daqui em diante um país envolto ao medo, ou é só uma coisa momentânea devido as Olimpíadas 2016?

Justamente essas questões, presentes no imaginário coletivo, nos fazem perceber que a paz já foi embora. Ficou somente a incerteza, a angústia e o medo. Medo que afeta diretamente a camada mais pobre da sociedade, do trabalhador simples, que pega aquele trem desumano todo dia, que agora tem que contar com a possibilidade de um atentado terrorista.

O medo agora faz parte do enredo dessa sociedade do espetáculo. Como se não bastasse o medo do assédio, do estupro, do latrocínio, da Polícia bandida e etc.. Agora o medo está potencializado no gênero do terror. Devemos agradecer ao Governo por este estado de mal-estar social. Pois, não se engane, quem escreveu e dirige essa cena de suspense é o próprio Estado. O que vemos na realidade é um Estado canalizando o terror na nossa direção e ele mesmo se transformando no super-herói que nos salvará.

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Polícia

É fato que o Estado cresce e se fortalece com a “política do medo” travestida de política decombate ao terror.

Um Estado todo poderoso é sempre o sonho de todos os governantes. Eles só precisam de um motivo, que pode ser real ou fictício. E, a formula que melhor faz isso dar certo é ostentar medo. O medo nos faz reféns das soluções imediatas e “necessárias”, isto é, tendemos a concordar com toda pauta que se coloca como aquilo que diz ser política de proteção social de caráter urgente.

Quando o que ocorre, de fato, é que estamos abrindo mãos da pouca liberdade que nos resta.

Leem nossos e-mails, grampeiam nossas conversas, nos monitoram com câmeras, entram em nossas casas sem mandato e prendem os nossos filhos – opa! Mas por que levar o meu filho? – Minha senhora, o seu filho é contra o Estado e é contra as Olimpíadas; logo, é um possível terrorista.

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