Durante os quase 20 anos em que comandou o Brasil, seja em governo provisório, ditatorial ou eleito, Getúlio Vargas praticava uma política de proteção sobre os interesses nacionais. Por conta disto, criou três gigantes: a Companhia Vale do Rio Doce (hoje, Vale) para explorar minérios, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para transformação do aço e a Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), para explorar o petróleo. Sobretudo na última, enfrentou grande campanha de forças políticas do atraso que queriam ceder o "ouro preto" a multinacionais americanas.

A CSN e a Vale foram privatizadas nos governos Itamar Franco (1992-1994) e FHC (1995-2002) por valores bem aquéns do que valiam.

Dados da época apontam que o valor de mercado da Vale em 1997, ano da privatização, era de pelo menos R$ 100 bilhões, mas foi vendida por apenas R$ 3 bilhões, ou seja, três por cento do que valia. Movimentos chegaram a convocar um plebiscito para anular o leilão da empresa, mas não obtiveram sucesso. A Petrobras escapou por pouco da privatização, mas não escapou de outros males.

Durante o governo de FHC, haviam ministros e executivos interessados na desestatização da empresa. Mas, havia também, segundo delações de ex-diretores, um duto para a corrupção. Apesar da divulgação midiática ter dado ao povo a impressão de que o governo do PT foi quem criou a corrupção na estatal, basta uma pesquisa no Google para conhecer outros aspectos: em 1989, por exemplo, Ricardo Boeachat ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo com uma matéria sobre corrupção na empresa.

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E, alguns anos depois, Paulo Francis denunciou no programa "Manhatan Connection" que executivos da empresa formavam uma "quadrilha". O que resultou disto foi um processo contra Francis, mas nunca uma investigação.

Nos governos Lula e Dilma, por mais que a corrupção tenha continuado a existir, o fantasma da privatização se extinguiu.  A Petrobras atingiu um grande índice de desenvolvimento, tendo descoberto o petróleo em águas profundas, o Pré-Sal, que pode valer até R$ 20 trilhões e que está prestes a ser entregue por este governo, como já fizeram com um primeiro campo de exploração. Isso é tão verdade que oportunistas que antes batiam na empresa, agora aconselham a compra de suas ações.

Para analistas, a venda do poço de Carcará por R$ 8,5 bilhões quando valia R$ 22 bi fez com que a Petrobras perdesse mais do que com toda a Lava Jato. E deverá continuar perdendo: o interino também já mandou para o além o Fundo Soberano do Pré-Sal, que era a garantia de uma melhor saúde e educação para o brasileiro.

Mas, quem precisa de saúde, se o "ministro" da pasta diz que a nossa doença é "psicológica"? Como se isso já não fosse o bastante.

Quando se depena uma empresa como a Petrobras, que mesmo vilipendiada e roubada por muitos ladrões, conseguiu financiar o desenvolvimento tecnológico da engenharia petrolífera e marítima brasileira, o que está por trás é o desinteresse nacional, é a lesa-pátria, a entrega de nossas riquezas quase "doadas" aos capitães do lucro internacional.