No dia nove de junho, a CBF convocou uma coletiva de imprensa para anunciar um pacote que teria como objetivo melhorar a estrutura do Futebol feminino. Dentro dessa proposta seriam planejadas ações que beneficiariam inclusive as categorias de base do futebol praticado por mulheres, além da criação das divisões A e B.

A ex-árbitra Ana Paula de Oliveira foi convidada para coordenar o evento e chegou a declarar que o momento era "histórico", pois até então a entidade máxima do futebol brasileiro jamais tinha permitido que as jogadoras de futebol se manifestassem. 

Pois bem, passados quase dois meses desse episódio surge a informação de que a CBF estará pensando em extinguir a Seleção Permanente de Futebol Feminino, sob o argumento de que na relação custo-benefício não estaria mais valendo a pena a manutenção dessa estrutura.

O fato de as meninas não terem conquistado uma medalha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro e o alto custo do salário das atletas estariam entre os argumentos para essa decisão.

Cabe lembrar que, quando a Seleção Feminina Permanente foi formada há dois anos, a CBF prometeu assinar a carteira das jogadoras e providenciar o seguro saúde. Algo bastante justo para as atletas, que abriram mão de jogar em outros clubes dedicando-se exclusivamente à Seleção, mas nada disso foi cumprido.

No entanto, a falta de respeito da entidade máxima do futebol brasileiro com a Seleção Feminina de Futebol não parou por aí. Tão logo a Seleção Olímpica de Neymar e companhia conquistou a medalha de ouro no Futebol nos Jogos Olímpicos, a CBF anunciou uma premiação extra de 500 mil reais aos jogadores. Isto representa um custo total de 12 milhões de reais. 

Esse valor é 14 vezes menor do que o recebido por qualquer outro atleta olímpico que subiu ao pódio.

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Os 500 mil reais pagos pela CBF apenas para um jogador da Seleção Olímpica de Futebol Masculino representa praticamente a premiação recebida por todos os 19 atletas olímpicos somados. 

Enquanto isso, as meninas que chegaram ao quarto lugar no futebol feminino no Rio-2016 têm seu futuro incerto, mesmo tendo dado o seu máximo num País que não possui a mínima infraestrutura para o futebol praticado pelas mulheres. Não existe um calendário descente, a maioria dos grandes clubes não possui nem departamento de futebol feminino.

No último Campeonato Brasileiro Feminino havia apenas sete estados participando e a Caixa Federal destinou R$ 10 milhões para custear a competição onde, em muitos estádios, não havia médicos, ambulâncias, segurança e em alguns casos, nem policiamento. Mesmo assim não faltou a elas empenho, dedicação e profissionalismo. E após um desempenho heroico nas Olimpíada,s são tratadas dessa forma vergonhosa e desrespeitosa por esses burocratas da CBF, lamentavelmente.