Casos de estupro têm sido frequentemente divulgados na mídia. Sempre tratado como uma violência contra a Mulher, o Estupro precisa ser reprimido e punido e, em nome dessa necessidade de punição, leis foram elaboradas e têm sido aplicadas. Como explicar então as estatísticas que apontam "um estupro a cada 11 minutos” no Brasil, com a agravante de muitos outros casos que não são registrados?

O problema do estupro tem a ver com a nossa formação cultural, que torna natural a desigualdade entre os gêneros.

O primeiro Código Civil aceitava a anulação do casamento caso o marido descobrisse que a mulher não era mais virgem. As mulheres eram subordinadas ao marido e só foram “promovidas” a colaboradoras em 1962, com o Estatuto Civil da Mulher Casada. A mulher, consideradacomo objeto de consumo, tornava-se presa de um conjunto de valores que determinavam sua existência, tirando-lhe o direito essencial de escolha.

Ainda hoje, em muitos aspectos, as mulheres continuam segregadas e discriminadas por conta do fato de serem elas as responsáveis, biologicamente, pela reprodução da espécie.

Treinadas para a submissão, tornaram-se passivas e dependentes, de tal forma que elas próprias vão-se incluindo nas categorias criadas pelos grupos dominantes para estimular a submissão. A Igreja, o Estado, o poder econômico foram pródigos em criar, sucessivamente, modelos femininos que têm servido aos interesses eventuais desses grupos. Constatou-se isso, recentemente, com uma pesquisa realizada pela Datafolha, a qual mostra que 32% das mulheres pensam que a própria mulher é responsável pela agressão: "mulheres que se dão ao respeito não são estupradas” é o pensamento de quase 1/3 das mulheres pesquisadas.

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A Constituição de 1988 concedeu à mulher direitos civis em posição de igualdade com os homens.Mas, definitivamente, as leis e as punições não bastam, pois não tocam na origem do problema e portanto não têm, por si só, o poder de transformar e desestimular a agressão. São necessárias transformações mais profundas capazes de mudar costumes arraigados na sociedade.

Nossas crianças precisam aprender a amizade e o respeito, e não a se expressar pela violência. Os meninos não devem ser estimulados a resolver seus conflitos com agressão, nem a reprimir o choro e a tristeza quando são agredidos.

Ainda vemos meninas sendo tratadas como Cinderelas e os meninos como Super Heróis em busca de aventuras. As ideias de que “homem não chora”, que pieguice e sentimentalismos são características das mulheres frágeis e tolas, têm causado muitos conflitos em relacionamentos porque separam os gêneros, como se existissem sentimentos masculinos e sentimentos femininos.

Parece ter chegado a hora de chamarmos os Super Heróis para brincar de casinha e tomar chá com as Cinderelas. Definitivamente, nossa sociedade carece de uma educação sem tabus.

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