O consagrado e talentoso ator baiano Wagner Moura, que é o principal protagonista da série "Narcos", veio a público e fez questão de ventilar junto à sociedade que está tendo uma série de problemas e empecilhos no sentido de obter financiamentos e incentivos em geral, no que diz respeito ao exercício de sua estréia, agora na função de diretor de Cinema, no filme que contará a história de Carlos Marighella, guerrilheiro esquerdista e político, o qual foi assassinado no ano de 1969 pela ditadura militar que se instalou no Brasil de 1964 até 1985.

De acordo com o que foi revelado por Moura, as empresas e companhias se alinharam em boicotá-lo de forma contundente, uma vez que o ator fez questão de manifestar o seu posicionamento e ideologia políticos explicitamente contra a tentativa na ocasião, do Impeachment da presidente do Brasil, Dilma Roussef, que foi eleita com cerca de 54,5 milhões de votos da população.

Apesar de obviamente o artista não ter dito os nomes das empresas que estão funcionando como uma barreira para o seu projeto cinematográfico, por outro lado, Moura não mede palavras quando diz abertamente que não reconhece o atual ministro da Cultura, Marcelo Calero, que é um dos integrantes da trupe de Michel Temer, que assumiu o poder no Planalto Central, de forma, no mínimo bastante questionável, e em meio a uma das piores tempestades econômica e política que assola o país.

Ao conceder recentemente entrevista a Leonardo Sakamoto, blogueiro do mundo das notícias, Moura relatou literalmente o seguinte: “já recebemos e-mails de que não iriam apoiar um filme meu, ainda mais sobre alguém como o Mariguella, um 'terrorista'".

Mario Magalhães é o autor do livro intitulado "Marighella - O guerrilheiro que incendiou o mundo", sobre o qual o filme de Wagner Moura foi baseado e tem como alvo ser produzido por meio da parceria com a empresa O2 Filmes, que pertence a outro nome de peso do universo cinematográfico que é o reconhecido cineasta Fernando Meirelles.

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As palavras de Moura deveriam levar a uma reflexão mais profunda de toda sociedade, quando o mesmo explica que esse projeto específico antecede toda a discussão sobre o impeachment de Rousseff, pois o desejo de dirigir a película é oriundo desde o lançamento do livro, quando ele se interessou pelo vulto histórico que é Marighella, que por coincidência foi baiano como ele.

Ainda em conversa com Sakamoto, Wagner Moura abordou o assunto da não indicação de "Aquarius", obra que poderia ter concorrido à vaga de melhor filme estrangeiro no Oscar nos Estados Unidos.

Alguns ousam dizer que isso só aconteceu também como uma forma de retaliação clássica a Kleber Mendonça Filho, que além de ser o diretor do filme, participou ativamente do que classificou como "golpe" de Estado no Brasil. Por fim, Moura reitera com todas as letras e palavras que não reconhece mesmo o governo enviesado de Temer e do seu histriônico ministro da Cultura, Marcelo Calero. “Pobre cultura” brasileira!

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