Filmes e Seriados de ficção científica sempre fizeram sucesso, pois materializam as nossas projeções sobre o futuro. Mesmo o mais limitado dos QI´s humanos tem a capacidade e a curiosidade de imaginar como será a vida na Terra daqui a 20, 30, 50 anos. Desde "Os Jetsons", desenho animado ingênuo e futurista da longínqua década de 1960, passando pelo clássico "De Volta para o Futuro" e chegando às produções recentes desse gênero, as telas sempre refletiram essa expectativa com o futuro. Mas, nenhuma delas refletiu, ou reflete, um futuro tão sombrio e assustador quanto “Black Mirror”.

Ao contrário do que se possa pensar, a série britânica não foi um sucesso imediato, e chegou a ser suspensa.

Quando lançada em 2011, agradou à crítica, mas não caiu imediatamente no gosto popular, até ser lançada na Netflix. Aí, em um fenômeno parecido com o que aconteceu com o filme "Donnie Darko", os comentários e a divulgação boca a boca fizeram com que fosse retomada, e a terceira temporada, que foi disponibilizada em outubro desse ano, se tornou um fenômeno de audiência.

"Black Mirror": um choque de realidade futurista

A série foi concebida no formato de antologia, ou seja, cada episódio é independente dos demais, o elenco não é fixo e não há personagens para seguir ou para torcer. Ao todo, contando as 3 temporadas, são 13 episódios, sobre um mesmo tema: a tecnologia e sua influência no cotidiano das pessoas. E é o tema o grande destaque da série, pois embora ambientado em um tempo futuro, grande parte dos recursos tecnológicos explorados na série já existem, ao menos de forma embrionária.

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E é aí que "Black Mirror" se torna assustadora, essencial e logo, genial, pois expõe não apenas os recursos tecnológicos, mas fundamentalmente, sua má utilização. Não é a tecnologia que é ruim e perversa, e sim, o ser humano, que faz péssimo uso dela, com resultados trágicos e catastróficos.

Stephen Hawking, o brilhante físico britânico, aconselhou recentemente que os estudos sobre a viabilidade de habitar outros planetas sejam acelerados, pois já condenamos a Terra a um fim trágico. É bem provável que ele esteja certo, e o que Black Mirror nos faz enxergar é que, além de destruir nosso habitat, somos estúpidos o bastante para subverter o propósito fundamental da ciência, que é melhorar a vida das pessoas, e transformar os modernos equipamentos em armas de destruição em massa. E de que não estamos prontos para certos avanços. Se em "O Exorcista" o mal está personificado e em "American Horror Story" ele vem do passado, em "Black Mirror" ele está na palma de nossas mãos.