Domingo, dia 20 de novembro, foi 18º Dia da Internacional da Memória Trans, que acontece desde 1999, para lembrar a morte de pessoas transgênero em diversos países do mundo. Por conta da data, o Transgender Europe publicou, na última semana, uma atualização de seu relatório "Transgender Murder Monitoring" (TMM), que monitora o assassinato de pessoas trans em 68 países ao redor do globo.

Desde o lançamento do projeto, o Brasil tem ocupado o primeiro lugar do ranking: de 1º de janeiro de 2008 a 30 de setembro de 2016 foram 900 mortes, mais de 3 vezes o número do país que ocupa o segundo lugar, México (271).

Foram registrado 123 assassinatos nos últimos 12 meses, 295 desde outubro de 2015, quando foi publicado o relatório anterior.

É ainda mais preocupante se levarmos em conta a probabilidade de essa estatística ser obtida numa realidade de subnotificações. Apesar do monitoramento realizado por organizações não governamentais e ativistas da causa trans, muitos assassinatos não são contabilizados porque a pessoa não é registrada nos documentos oficiais como transgênero - é comum que travestis sejam apontadas como "homens vestidos de mulher" ou que nem mesmo haja menção à transgeneridade e a pessoa acaba registrada com o nome de batismo.

A violência sistemática contra esses indivíduos ganha contornos ainda mais complexos quando lembramos de uma pesquisa divulgada no início de 2016 pela página de filmes adultos RedTube, que apontou ser o público brasileiro o que mais assiste a vídeos com pessoas trans. De acordo com o site, a busca por termos relacionados a transgêneros está em quarto lugar entre as mais frequentes feitas pelos brasileiros, o que corresponde a 89% a mais que a média mundial.

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De certa forma, isso revela que o lugar marginalizado ocupado por pessoas transgênero, principalmente travestis, em nossa sociedade, vem acompanhado de uma grande fetichização, uma vez que o imaginário do país associa travestis à prostituição e ao mercado do sexo - afinal, a rejeição pelo mercado de trabalho faz com que essa seja a única opção dessas pessoas para ganhar a vida. Forçadas a uma existência em situações precárias, são elas as que mais sofrem com a violência intensa: 79% das pessoas trans assassinadas são prostitutas.

Esses índices atualizados demonstram, ainda, como muito pouco ou nada tem sido feito, oficialmente, para combater a realidade de violência contra transgêneros no país. Muito pelo contrário, o que temos visto são crescentes discursos, inclusive entre parlamentares, que deslegitimam a condição trans e fomentam ainda mais o ódio generalizado.

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