Nos últimos meses, muito se tem falado da polêmica Escola de Princesas, que nasceu em Minas Gerais, e que hoje ganha franquias em outras partes do país. Em reação à divergente “Escola”, foi noticiado, na grande mídia e nas redes sociais, o projeto de Desprincesamento de meninas, criado pelo Escritório de Proteção dos Direitos da Infância, em Iquique, no Peru. O curso visa debater preconceitos e a quebra de estereótipos criados, principalmente, pelos filmes de princesas.

Por conta de toda controvérsia, no início do mês de novembro, foi divulgado o surgimento de uma Escola com oficinas de Desprincesamento em São Caetano do Sul, cidade do município de São Paulo, e que teve apoio e orientação das responsáveis pelo curso do Chile.

Ao olharmos a Escola de Princesas é difícil não debatermos o curso. Afinal, ensinar meninas a serem princesas, é calçá-las num ideal imaginário que, provavelmente, dará em fruto mordido de preconceitos e do qual as belas adormecidas acordarão com o beijo da realidade latente murando suas portas e desmoronando seus sonhos gentis.

E o que esperar dessas meninas princesas?

Neste ponto, a Escola de Desprincesamento é mais contundente com a realidade ao propor oficinas que desmitifiquem a figura da princesa prefeita, casta, pura, prendada e a espera do ser encantado que a salvará e a protegerá. Contudo, sustentar o imaginário de meninas empoderadas, valentes, superpoderosas e prontas para a “guerra” social, em particular, das aventuras heroicas e dos supostos fantasmas de seus eus e do presumível príncipe desbravador a sustentar seus desencantos, é no mínimo contraditório, apesar de toda violação, vitimização e desigualdades que a figura feminina sofre desde sempre.

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Então, nesse caso, repercute a indagação, o que esperar dessas meninas desprincesadas?

Cabe questionarmos: por que supervalorizamos a figura masculina, seu acalanto predatório, sua redentora atitude e seu arrebatador comando do mundo, no qual são preparados para se mostrarem prontos para amar, odiar, guerrear e conduzir? E, se ponderarmos, só detona a pueril subjugação deles, do meio social e, em particular, da mulher vitimizada, visto ela ser sua presa em potencial.

Ora, é justamente aí, que elas mostram-se controversas, a começar pelo fato de não agregarem os meninos e seu mundo fantasioso de príncipes vigorosos, prefeitos, valentes, potentes e protetores, como de seus super-heróis plenos de imbatividade indestrutível e dotados de superpoderes. E esse universo nos diz muito sobre a figura masculina e seu Comportamento social, com a mulher e com ele mesmo. A somar a isso, as “Escolas” não se sensibilizaram que, independente de diferenças, padecemos de respeito.

É neste ponto que elas são uma falácia, se pensarmos o processo de (auto)defesa do qual a mulher é coagida como vítima do homem, do meio social, e o pior, de suas iguais. Como presumir essas #Escolas moldais e homogenias que não integram e nem interagem as diversidades, as oposições e as pluralidades?

Projetemos como seria se a proposta urgisse da transgressão que rompe paradigmas, quebra tabus, destrói muros e anula as barreiras dos sentimentos reais que fervilham o imaginário de meninas e meninos que, ainda, se sabotam no convívio social.

Agora, imaginemos como seria bacana se elas oferecessem cursos e oficinas onde eles dividissem o mesmo espaço, aprendizado e o prazer da descoberta do universo um do outro.

Então, por que confiar? Talvez, porque saibamos que não são princesas nem desprincesas, muito menos, príncipes e super-heróis que acalentarão o futuro das crianças, então, basta-nos crer na falsa fantasia, é mais fácil. Enquanto isso, carecemos de um sistema educacional de qualidade e de uma porcentagem de pais que cumpram seu papel sem dogmas aparentes de salvação. No mais, vivemos em um mundo no qual o corpo social se nega, se sabota e anda na contramão. E por essas e outras que damos vasão a hipocrisia que nos sucumbi. É, falta-nos tolerância, mas antes de tudo, respeito.

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