Um grande preconceito da atualidade diz respeito aos programas governamentais de transferência de renda como o Bolsa Família. Esses programas são usados para atacar o Governo passado e são qualificados pelos críticos como mecanismos para comprar votos, garantir a continuidade de um político no poder, obter popularidade e criar uma "massa de preguiçosos que não trabalham, só para receber do governo". Um absurdo proferido é o de que as famílias ficam tendo filhos em escala quase industrial para garantir a manutenção ou até mesmo o aumento do valor do benefício.

Essa tese foi derrubada quando o resultado de uma pesquisa realizada e divulgada pelo IGBE constatou que houve queda e não um aumento da taxa de natalidade. E ainda mais: a maior queda se deu justamente nas famílias residentes nas regiões norte e nordeste, onde o número de beneficiários é o maior do que no resto do país.

Quem critica o programa só reclama da renda transferida, mas não verifica a existência das contrapartidas. Parece tratar-se de alimentar quem não trabalha, "sustentar vagabundos", como dizem por aí.

O que é necessário compreender é que cinco séculos de desigualdade não serão corrigidos em apenas 50 anos. Nós brasileiros não gostamos da ideia de pensar a longo prazo, somos imediatistas e queremos que se resolva agora. Vício que precisamos abandonar.

As contrapartidas do programa exigem que os beneficiários mantenham os filhos na escola combatendo, assim, o Trabalho infantil. No interior do Brasil, as crianças não frequentavam ou deixavam de frequentar a escola pela necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família.

Vai ficar por fora de assuntos como este?
Clique no botão abaixo para se manter atualizado sobre as notícias que você não pode perder, assim que elas acontecem.
Vagas Governo

As estatísticas mostram que, gradativamente, desde a criação dos programas de transferência de renda, a taxa de trabalho infantil foi caindo no país, sobretudo na região nordeste.

Mas que diferença faz deixar de trabalhar muito cedo? Qualquer educador de respeito sabe o quanto é necessário ser criança, praticar atividades de criança, viver como criança na infância para o bom desenvolvimento do indivíduo. Além disso, a não obrigatoriedade do trabalho dá às crianças uma possibilidade única: frequentar a escola.

Isso contribui para o aumento da escolaridade e a possibilidade de se colocar melhor no mercado de trabalho.

Em um mundo competitivo como o nosso, ter escolaridade é fundamental. Que tipos de empregos e cargos estariam reservados às crianças no futuro se elas não tivessem a oportunidade de estudar e obter formação? Os programas de transferência de renda estão dando a essas crianças a oportunidade de ter uma vida melhor e mais confortável do que a dos seus pais e avós, avanço que vem sendo comprovado pela queda gradual na taxa de analfabetismo no Brasil.

Além da contrapartida do estudo, o programa exige cuidados com a saúde. As famílias beneficiadas têm a obrigação de fazer acompanhamento médico periódico sob pena de perder o benefício. Famílias que no passado nunca tiveram medicina preventiva, agora gozam de maior expectativa de vida propiciada pelo melhor acesso aos serviços de saúde.

Por fim, a melhor escolaridade aliada à melhoria nos serviços de saúde estão provocando uma revolução nas regiões outrora esquecidas. O número de emigrantes que saíam em direção ao sul teve queda considerável.

O benefício permite que eles permaneçam em seus locais de origem e contribuam para o desenvolvimento de suas cidades. Os lugares esquecidos agora começam a evoluir, contribuindo para o desenvolvimento do país como um todo.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo