Não são poucos os tabagistas que verdadeiramente desejam para de fumar, mas não obtém êxito em suas inúmeras tentativas. Entender a essência do tabagismo, enquanto uma doença, pode ajudar na luta contra o cigarro.

Aqueles que pretendem de fato vencer o vício do cigarro devem ter em mente que a nicotina é uma droga, e das mais poderosas, fato esse cabalmente documentado na obra "Nicotina: Droga Universal", do professor José Rosemberg.

Sua capacidade de engendrar a dependência física e psicológica não fica muito longe das chamadas drogas ilícitas, como a cocaína e a heroína. Assim, o tabagista deve primeiramente reconhecer-se como alguém que sofre de uma doença, assim como o dependente em crack, por exemplo. Esse choque de realidade contribuirá para fortalecer sua decisão de largar o vício.

De fato, a dependência da nicotina constitui-se num fenômeno complexo e que pode ser vislumbrado em três aspectos principais: o físico (ou químico, se preferir), o cognitivo e o comportamental.

Livrar-se do cigarro significa vencer essas três dimensões do tabagismo.

A dependência física ou química pode ser branda ou pesada. Nesse ponto, fumantes que apresentam uma forte dependência química dificilmente irão superar o vício sem ajuda médica (há muitos medicamentos no mercado para tratar da dependência química da nicotina). Essa é talvez a barreira mais difícil a ser superadapelo tabagista.

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Quanto ao aspecto cognitivo, trata-se das mais diversas associações que o fumante realiza com o ato de fumar, ideias como a de que o cigarro acalma, reduz a ansiedade, estimula a criatividade ou a produtividade, e coisas semelhantes. Em verdade, todas essas ideias são racionalizações que o indivíduo desenvolve e conserva para si mesmo, de modo a justificar o vício, pois o tabagista fuma por uma única e simples razão: para amenizar a síndrome de abstinência que o aflige de tempos em tempos (em intervalos de horas, para alguns, e de minutos para outros).

Por fim, o aspecto comportamental está associado ao ritual de acender o cigarro, levá-lo à boca, soltar as boas baforadas etc. Sem contar nas insensatas associações a certos eventos, como fumar após o almoço, o cafezinho ou a atividade sexual, além de outras mais insensatas ainda, como fumar por estar triste, ou por estar alegre, ou por não estar nem triste nem alegre etc.

Como se vê, a nicotina constitui-se numadroga a dominar o corpo, a mente e a ação.

E como tal, livrar-se dela requer uma atitude firme e realista, como a dizer a si mesmo: "Sou um drogado, e não mais desejo sê-lo!". Esse é o primeiro passo em direção à superação dessa doença que leva à mortemilhões e milhões de pessoasa cada ano, no mundo inteiro.

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