O novo governo parece não ter limites em sua jornada para desmobilizar e submeter a classe trabalhadora. Depois de acenar com a revisão das leis trabalhistas e a reforma da previdência, a ordem agora é destruir o Ensino Médio. Alegando construir uma escola mais interessante e que atenda à modernidade, o que o novo ministro da Educação propõe é um verdadeiro absurdo!

A proposta se resume nos seguintes pontos: aumento da carga horária, conversão das disciplinas de artes, educação física, sociologia e filosofia em disciplinas opcionais, foco no ensino técnico e permissão para que, em tese, qualquer um com formação superior possa lecionar, ainda que não possua licenciatura.

Trata-se de um pseudo-reforma que não resolverá o problema do ensino, mas sim da elite e da classe política brasileira: a combatividade da juventude atual.

O aumento da carga horária resultará em consequências trágicas às famílias de baixa renda no país. Para o jovem que irá precisar trabalhar para ajudar no sustento da família ou até mesmo nas suas necessidades pessoais, a escolha chegaria a ser até macabra: trabalhar ou estudar? É óbvio que, com uma carga horária diária maior que a atual, será impossível conciliar as duas coisas, a não ser que o adolescente abra mão de dormir.

Para muitas famílias, o dilema será manter o jovem na escola ou deixar que ele a abandone para trabalhar. Para outras, que com muito esforço mantem seu filho na rede privada, será igualmente avassalador. O aumento da carga horária irá encarecer o custo das mensalidades o que resultará na evasão e no desemprego.

A eliminação de disciplinas importantes como Artes e Educação Física levará à inibição de talentos. Sabe-se que é na escola que os dons são descobertos, seja para o esporte ou para a dança, artes plásticas ou música.

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Educação

Eliminar a Sociologia e Filosofia é uma forma de inibir a formação de uma geração crítica, já que são essas disciplinas que discutem a sociedade, as desigualdades e o conhecimento. São disciplinas que nos ajudam a pensar e nos transformam em cidadãos questionadores.

O foco no ensino técnico tem o intuito de formar operários. Querem uma educação que ensine as pessoas a executar, ao invés de pensar, afinal, quem deve pensar não é a classe trabalhadora e sim a classe patronal. Trata-se que tentar reverter as conquistas que tivemos nas últimas décadas em educação.

A preocupação com essa reforma não é formar o sujeito, mas preparar a extensão da máquina. Não se deve ter curiosidade pelo conhecimento, apenas se preocupar com aquilo que será usado no mercado.

O mais absurdo é a não obrigatoriedade da licenciatura que o projeto propõe. Como avaliar, preparar, zelar pelo aprendizado se eu não fui formado pra isso? De que vale os conhecimentos de um engenheiro em matemática se ele não possui o preparo didático para o ensino e a avaliação? Quem garante que o fato de eu possuir "notório conhecimento" faz de mim um professor preparado?

Na verdade, essa uma estratégia mal intencionada de combater a escassez de formandos na área do magistério. Ao invés de valorizar a carreira dando formação plena e boas condições de trabalho, abre-se as vagas para os "bacharéis frustrados". Ninguém se forma em Medicina, Farmácia, Direito, Engenharia e Administração pensando em lecionar na educação básica. Só migrarão para essa área em virtude do fracasso em se colocar na área de origem. Isso irá sucatear ainda mais o ensino.

Todo esse projeto visa tirar das futuras gerações seu poder crítico e colocá-los de volta na posição de subserviência.

Querem-nos exercendo profissões técnicas vazias de intelectualidade. A aprovação da medida institucionalizará a perversidade que nas entrelinhas existe na educação atual: o ensino para os pobres e o ensino para os ricos. Um formará o cidadão para o mercado e funções subalternas, o outro formará os empresários e a classe política do país. Isso é muito claro. Só vê quem não quer!

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