A educação dos filhos mudou, seguindo o curso das transformações das sociedades. Se você conversar com seus pais ou avós, certamente irá se deparar com um estilo duro e rigoroso dos adultos da época ao lidarem com as crianças. Nesse período, os pequenos não tinham vontade: eles deveriam seguir aquilo que era dito pelos pais sem pestanejar e ponto final. Castigos físicos eram vistos com normalidade, e a relação dos filhos com os pais era muitas vezes temperada pelo medo e pela mágoa.

Atualmente, os pais buscam equilibrar suas relações com os filhos, oscilando entre a responsabilidade que o papel paterno impõe e a busca pelo carinho e amizade dos filhos. Sentindo-se culpados por não conseguirem passar tempo suficiente com os filhos, os pais muitas vezes pecam, ao contrário das gerações anteriores, pela falta de rigor, deixando de apontar e corrigir seus erros. Isso resulta em um grande número de crianças mimadas, deslumbradas pelos bens de consumo e pela tecnologia.

Mas o que é mais prejudicial: a falta de afeto dos pais ou seu excesso de amor na educação infantil? Especialistas das universidades de Amsterdã e Ultrecht, na Holanda, afirmam que filhos de pais que elogiam excessivamente tendem a desenvolver mais características narcisistas, sem, no entanto, desenvolver sua autoestima. Filhos de pais pouco afetivos não desenvolveram características ligadas ao narcisismo - o que não elimina o impacto emocional de uma relação familiar pouco amorosa.

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Em meio aos dois extremos, é aconselhável procurar o caminho intermediário. É necessário não prescindir de uma relação afetuosa com as crianças, que precisam se sentir amadas para desenvolverem-se plenamente, evitando sofrimentos emocionais. Por outro lado, os filhos precisam de orientações e de regras para que possam ver que o mundo não se curvará diante de suas vontades. Muitos problemas na fase escolar seriam evitados se esses cuidados fossem tomados: afinal, educar um filho é tarefa dos pais ou responsáveis, não dos professores.

Vale lembrar, nesse caso, a famosa (e talvez cafona) frase de Che Guevara: "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jámas...".

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