O assassinato de Itaberlly Lozano, jovem de 17 anos, pela mãe, aconteceu no dia 29 de dezembro, mas apenas veio à tona esta semana. O corpo do adolescente foi encontrado no dia 7 de janeiro, carbonizado, em um canavial próximo a Cravinhos, interior de São Paulo e no dia 11 de janeiro a mãe e o padrasto foram presos pela Polícia Civil, suspeitos da autoria do crime.

Em depoimento à polícia, a mãe de Itaberlly, Tatiana Ferreira Lozano Pereira, de 32 anos, confessou o assassinato e declarou que "não aguentava mais" o filho.

Ele foi morto com três facadas no pescoço e o padrasto ajudou a se livrar do corpo. O advogado de Tatiana declarou à imprensa que o garoto era usuário de drogas e tinha ficha policial, contudo, até o momento não houve confirmação dessa conduta.

Segundo o tio de Itaberlly, Dario Rosa, tratava-se de um garoto trabalhador, que tinha desavenças frequentes em casa porque Tatiana não aceitava que fosse homossexual.

O tio por parte de pai conta ainda que, no dia 27 de dezembro, o jovem decidiu ir morar com ele e com a avó paterna, mas após receber uma ligação da mãe resolveu voltar para sua casa no dia 29 de dezembro e, desde então, desapareceu. Dario acredita que o crime tenha sido motivado por homofobia.

Apesar de alegar ter sofrido ameaças por parte do filho, Tatiana foi acusada pelo próprio de ter dado ordens para que Itaberlly fosse agredido.

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LGBT

Dias antes de ser assassinado, o jovem foi agredido e postou uma denúncia em sua página do Facebook.

Na noite de quinta-feira, 12 de janeiro, Tatiana voltou atrás e acusou três pessoas de terem assassinado seu filho. Em depoimento, alegou que os rapazes teriam chegado em sua casa no dia 29 de dezembro perguntando se o adolescente estaria precisando de um "corretivo". Em resposta positiva, a mãe supostamente pediu que os indivíduos não machucassem muito o filho.

Como se todo o caso e suas nuances não fossem chocantes o bastante, deparamo-nos, nos comentários das páginas de notícias, com pessoas que defendem a atitude de Tatiana e justificam o crime a partir da orientação sexual e do comportamento de Itaberlly.

O discurso dessas pessoas que culpabilizam a vítima e encaram a homossexualidade como um comportamento que precisa ser punido é sintomático do quanto a homofobia e o ódio são banalizados pela sociedade.

A linha que separa falas de ações é extremamente tênue e temos visto, cada vez com mais frequência, como a discriminação disfarçada como opinião tem consequências graves, principalmente se fechamos os olhos para a Violência que está guardada em falas, em comentários, em piadas, em ironias, como se fossem algo de menor importância.

Por trás do assassinato de Itaberlly está a intolerância diariamente justificada com a responsabilização do outro por sua própria desgraça.

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